A urna eletrônica brasileira não foi criada por uma única pessoa, mas sim através de um esforço conjunto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1995. O TSE reuniu juristas, engenheiros do Exército, da Marinha, da Aeronáutica, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações para desenvolver uma máquina de votação segura e simples, que funcionasse sem energia elétrica contínua ou conexão à internet.
O projeto culminou na criação do modelo UE96, que foi estreado nas eleições municipais de 1996. Este modelo utilizava um processador Intel 386SX de 40 MHz e apenas 2 MB de memória, um design que visava a segurança e eficiência.
História da Urna Eletrônica
A primeira totalização eletrônica de resultados no Brasil ocorreu em 1994, quando uma rede própria de computadores foi utilizada para divulgar os resultados da eleição presidencial. A Lei nº 9.100 de 1995 autorizou o uso do sistema eletrônico de votação e apuração, permitindo que o TSE utilizasse a tecnologia desenvolvida.
O TSE fabricou 70 mil unidades da urna através da empresa Unisys Brasil, que venceu a licitação pública. O projeto técnico foi concluído em cinco meses, e a norma que amparou o processo foi a já mencionada Lei nº 9.100.
Funcionamento da Urna Eletrônica
Antes da adoção da urna eletrônica, testes com computadores pessoais mostraram que esses dispositivos não eram adequados para uma eleição nacional, devido a vulnerabilidades em sua arquitetura. A solução foi desenvolver um equipamento com hardware e software controlados, garantindo a segurança necessária.
A urna UE96 tinha um design específico, utilizando um teclado numérico e um gabinete com bateria interna, permitindo que funcionasse em locais sem energia elétrica. O software, denominado Uenux, foi desenvolvido internamente pelo TSE e não possui drivers de comunicação remota, garantindo que a urna opere sem conexão à internet.
Segurança e Autonomia
A urna eletrônica é projetada para operar de forma isolada, sem qualquer tipo de conexão com redes externas. Isso assegura que a captação, validação e armazenamento dos votos ocorram de maneira autônoma. O processo eleitoral é dividido em duas etapas desconectadas, garantindo a integridade dos dados.
Opinião
A criação da urna eletrônica representa um avanço significativo na segurança e eficiência do processo eleitoral brasileiro, refletindo a capacidade do TSE em inovar e proteger a democracia.





