Um novo estudo revela um mecanismo global de fossilização que preservou tecidos moles e até esteroides em um pterossauro do período Cretáceo, encontrado na Formação Romualdo, na Bacia do Araripe (CE). Pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos identificaram que bactérias oxidantes de enxofre foram fundamentais na mineralização rápida do fóssil, garantindo uma preservação tridimensional excepcional.
Análises Avançadas e Colaboração Internacional
O estudo, publicado na revista iScience em 18 de outubro, envolveu análises de geoquímica, microscopia e tomografia 3D. A pesquisa foi realizada por especialistas de 15 instituições internacionais, incluindo a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Regional do Cariri.
Descobertas Inovadoras sobre o Pterossauro
O pterossauro pertence ao grupo Anhangueridae e apresentava cerca de 8 metros de abertura alar. O paleontólogo Alexander Kellner, do Museu Nacional/UFRJ, destacou a importância do achado: “A preservação desse pterossauro é extraordinária. Estamos falando de tecidos e moléculas que, em condições normais, desapareceriam em poucos dias.”
A professora Klitin Grici, da Universidade Curtin, afirmou que as descobertas abrem uma nova janela para a formação de fósseis, com a detecção de traços de esteroides, indicando que essas criaturas provavelmente se alimentavam de peixes ou lulas.
Impacto Científico e Patrimonial
O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, comentou que a pesquisa muda a compreensão sobre a formação de fósseis excepcionais, mostrando que micróbios podem criar microambientes altamente eficientes para preservar tecidos e moléculas.
O curador do Museu de Plácido Cidade Nuvens, Renan Bantim, ressaltou a importância do achado, afirmando que os pterossauros foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado. A parceria entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri, apoiada pelo Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – INCT Paleovert, é um marco na pesquisa paleontológica.
Opinião
A preservação desse pterossauro não apenas enriquece a ciência, mas também destaca a importância da Bacia do Araripe como um dos sítios fossilíferos mais importantes do mundo.





