O governo federal lançou o Plano Safra 2026/2027 no dia 30 de junho de 2026, com um total de R$ 610 bilhões em crédito. Apesar do valor recorde, entidades do agronegócio, como a FAEP, afirmam que os recursos são insuficientes para atender às necessidades do setor.
A FAEP havia solicitado R$ 670 bilhões, e o valor anunciado pelo governo, quando ajustado pela inflação de 4,4%, representa uma perda real de aproximadamente R$ 13,6 bilhões. Além disso, a inclusão de fontes de recursos externas, que não eram contabilizadas anteriormente, inflou artificialmente o total apresentado.
Taxas de Juros e Recursos Equalizados
As taxas de juros também são motivo de preocupação. Para os grandes produtores, o custo nas linhas de custeio é de 12,5% ao ano, enquanto os médios produtores, que utilizam o Pronamp, enfrentam uma taxa de 9%. As entidades esperavam taxas de até 10,5% e 7%, respectivamente, para garantir a rentabilidade.
Os recursos equalizados, que são subsídios pagos pelo Tesouro Nacional para reduzir os juros, caíram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, indicando uma mudança na política agrícola que pode forçar os agricultores a buscar linhas de crédito com custos mais altos.
Impactos na Produção de Alimentos
Com um recuo de 7,18% nos recursos para custeio e comercialização, que totalizam R$ 384,9 bilhões, a produção de alimentos pode ser afetada. O custeio é essencial para o capital de giro das fazendas, e a redução de verba pode impactar diretamente a atividade agrícola.
Além disso, dos R$ 140,2 bilhões anunciados para investimentos, cerca de R$ 38,5 bilhões são oriundos de programas externos, como o Move Agricultura e o Ecoinvest Brasil. Sem essas adições, o Plano Safra apresentaria uma redução real de 5,7% em comparação ao ciclo anterior.
Opinião
A crítica ao Plano Safra 2026/2027 reflete a necessidade urgente de revisar as políticas agrícolas para garantir a sustentabilidade e a rentabilidade do setor, que é vital para a economia brasileira.





