Pesquisadores da Fundação do Câncer revelam que os dados sobre câncer de pele no Brasil são alarmantes. Em 2023, a doença resultou em 5.588 mortes no país, destacando a necessidade urgente de informações mais completas para o diagnóstico precoce e tratamento eficaz.
De acordo com o estudo, entre 2014 e 2023, foram registrados 452.162 casos de câncer de pele. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) classifica o câncer de pele como o mais comum no Brasil, com a maioria dos casos ocorrendo em pessoas acima dos 50 anos. Os principais tipos incluem carcinomas basocelular e espinocelular, além do melanoma, que, embora menos frequente, é mais agressivo.
Dados faltantes e suas consequências
A pesquisa identificou lacunas significativas nos dados, como a falta de informações sobre raça e cor da pele, que afetam mais de 36% dos casos, e sobre escolaridade, que impacta cerca de 26%. A Região Sudeste apresentou o maior percentual de falta de dados sobre raça/cor da pele, atingindo 66,4%, enquanto a Região Centro-Oeste teve 74% de falta de informação sobre escolaridade.
Essas deficiências dificultam a análise de desigualdades raciais e a formulação de políticas públicas adequadas. O epidemiologista Alfredo Scaff, coordenador do estudo, enfatiza a importância de tais informações para a prevenção e detecção precoce do câncer de pele, especialmente em um país com alta exposição à radiação ultravioleta, principal fator de risco.
Previsões alarmantes para o futuro
O Inca estima que, entre 2026 e 2028, o Brasil deve registrar anualmente cerca de 263.282 novos casos de câncer de pele não melanoma e 9.360 novos casos de melanoma. A maioria desses novos casos deve ser identificada na Região Sul, que já apresenta altas taxas de mortalidade por câncer de pele melanoma.
O estudo ressalta que a exposição à radiação ultravioleta é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele, com um alerta especial para trabalhadores que atuam ao ar livre. Scaff menciona que, além do uso de protetor solar, é crucial considerar outros equipamentos de proteção, como roupas adequadas e óculos com proteção UV.
Opinião
A pesquisa da Fundação do Câncer evidencia a urgência de um sistema de saúde mais eficiente e informado, capaz de lidar com a crescente incidência de câncer de pele no Brasil.





