Economia

Economistas alertam: endividamento das famílias pode estourar em 2027

Economistas alertam: endividamento das famílias pode estourar em 2027

O nível recorde do endividamento das famílias brasileiras, que atinge 49,8% da renda, pode levar a uma significativa perda de ritmo no consumo em 2027. Economistas alertam para o risco de uma desaceleração mais forte que o esperado da atividade econômica, resultado de um efeito rebote do atual cenário de crédito.

Segundo análises do BTG Pactual e do FGV Ibre, muitos brasileiros estão endividados em linhas de crédito caras, o que pode intensificar a ressaca econômica. Um estudo do Banco Central de 2020 revelou que o endividamento excessivo leva a uma queda acentuada do consumo no futuro. Atualmente, modalidades com as taxas mais altas, como cartão parcelado, cartão rotativo e cheque especial, representam quase 25% da carteira de crédito das pessoas físicas.

Impacto nas classes de renda

O estudo do FGV Ibre aponta que, em outubro do ano passado, 39,3% das contratações do cartão rotativo foram feitas por brasileiros que ganham até dois salários mínimos. A pesquisadora Katherine Hennings destaca que o valor médio da dívida inadimplida é de R$ 6.300, quase o dobro do rendimento real médio. “A situação financeira das famílias hoje é pior que a que precedeu a crise de 2014 a 2016”, afirma Hennings.

As projeções para o crescimento do PIB também são preocupantes. A expectativa para 2027 é de apenas 0,8%, uma queda significativa em relação a uma alta de 2% prevista para 2026. O Boletim Focus do Banco Central já revisou a projeção para a expansão do PIB de 1,80% para 1,69%.

Medidas do governo

Em resposta a essa situação, o governo anunciou R$ 189 bilhões em medidas para estimular o crédito até o primeiro semestre de 2023. A secretária de Política Econômica, Débora Freire, afirmou que a taxa de juros está em queda, ao contrário do cenário que precedeu a crise de 2010. O programa Desenrola foi criado para ajudar na renegociação de dívidas mais caras, permitindo que as famílias possam repactuar suas dívidas.

Opinião

Embora o programa Desenrola busque melhorar a qualidade do endividamento, a sustentabilidade dessa abordagem é questionável, especialmente considerando o alto nível de endividamento atual.