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O que você precisa saber

O dólar subiu 0,67% e fechou a R$ 5,489 em 5/11, dois dias após a eleição nos EUA. Segundo a Exame, a piora do cenário internacional e as incertezas fiscais no Brasil pesaram sobre o câmbio. A eleição, sozinha, não explica a alta.

O dólar fechou em alta de 0,67% nesta quinta-feira (5), cotado a R$ 5,489, dois dias depois da eleição de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo a Folhapress, os democratas conquistaram a maioria nas duas Casas do Congresso, em derrota para Donald Trump. A Exame fala apenas em vitória democrata, sem detalhar as Casas. No mesmo dia, Wall Street teve queda forte, puxada pela tecnologia.

Em 3/11, o dólar já havia fechado em alta de 0,70%, a R$ 5,486, no maior patamar desde dezembro de 2025. Na quarta-feira (4), a moeda chegou a cair: às 14h19, cotava R$ 5,472, em queda de 0,25%. Esse é um número intradiário, não de fechamento. Segundo a Exame, a vitória democrata reduziu as preocupações com uma escalada do conflito no Oriente Médio, o que provocou forte queda do petróleo e dos juros dos Treasuries.

A queda de Wall Street no dia 5

No fechamento de quinta-feira, o Nasdaq caiu 5,52%, para 24.315 pontos, e entrou em correção. O S&P 500 recuou 4,36%, e o Dow Jones, 3,44%. Segundo a Exame, a queda se concentrou em tecnologia e semicondutores, por temores de regulação da inteligência artificial e de desaceleração dos investimentos em centros de dados depois da vitória democrata. Por volta do meio-dia, a perda do Nasdaq chegava a cerca de 4%, antes de se aprofundar até o fechamento.

“Quando a bolsa americana tem uma queda de tamanha relevância, passa de um nível de queda simples para um nível de alerta de pânico, criando aversão ao risco e contaminando os mercados como um todo, inclusive o Brasil”

Marcelo Cabral, gestor de investimentos e sócio-fundador da Stratton Capital Nova York, à Exame

No Brasil, o Ibovespa fechou em queda de 0,82%, aos 166.191,45 pontos, com volume de R$ 25 bilhões. Na quarta-feira (4), o índice havia subido 1,23%, interrompendo seis sessões seguidas de perdas. O Brent subiu 3,88% no fechamento, a US$ 98,29 por barril, em recuperação após a queda do dia anterior.

Os dois fatores apontados por analistas

Segundo a Exame, a piora do ambiente internacional aumentou a aversão ao risco. Além dela, o câmbio refletiu as incertezas sobre a condução da política fiscal no Brasil.

Antes da votação, analistas ouvidos pelo g1 viam na eleição um possível alívio para emergentes e para o real, com juros futuros mais baixos. Esse efeito, porém, não seria automático, e uma vitória democrata também não significaria o fim das tarifas americanas.

O peso do cenário doméstico

O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano, por unanimidade, na quarta-feira (4), interrompendo cinco cortes consecutivos. A manutenção era a expectativa majoritária do mercado. O Banco Central revisou a projeção do IPCA de 2026, de 5,2% para 5,6%, e a de 2027, de 3,9% para 4,7%. O comunicado não indicou quando o ciclo de redução dos juros poderá ser retomado. Já o Boletim Focus de 3/11, primeiro após a reeleição de Lula, trouxe projeção de 4,76% para o IPCA de 2027, acima do teto da meta, segundo a Folhapress.

O movimento atual vem depois de uma forte revisão dos preços de ativos brasileiros. Em 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,9%, o dólar avançou cerca de 8% e a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base, segundo a Folhapress.

Na quinta-feira, investidores acompanharam a reunião de Lula com integrantes da equipe econômica, ex-ministros e economistas próximos ao PT, em busca de sinais sobre as contas do próximo governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, classificou a reunião como “boa” e “convergente em termos de diagnóstico”. Ele reiterou o compromisso com as metas fiscais, mas disse que ainda não era momento de discutir medidas específicas, e que não haveria anúncios nesta quinta-feira nem antes da viagem de Lula ao exterior, na próxima semana.

Antes da votação, o g1 citou o modelo do The Economist, que dava 96% de chance de vitória democrata na Câmara, e a Polymarket, com 92%. Eram projeções, não resultados.

O que muda para o leitor

Para quem compra dólar para viagem ou pagamento no exterior, a cotação de R$ 5,489 do fechamento de quinta-feira é o ponto de partida, e a moeda pode voltar a oscilar se o cenário externo piorar. Para quem tem ações, o Ibovespa caiu 0,82% nesta quinta e havia subido 1,23% na véspera. Analistas ouvidos pela Exame atribuem a alta à aversão ao risco e à incerteza fiscal; a mesma reportagem liga a queda de tecnologia aos temores de regulação depois da vitória democrata.

O que ainda depende de definições

Ainda não se sabe o conteúdo do pronunciamento que Lula fará no domingo (8), para reafirmar o compromisso com as metas fiscais. Também está indefinido quem comandará o Ministério da Fazenda em 2027. Até esta quinta-feira (5), o governo não havia detalhado quais medidas poderão ser anunciadas depois da viagem do presidente ao exterior. Antes disso, na sexta-feira (6), sai o payroll, relatório de emprego dos EUA que pode influenciar as expectativas para os juros americanos e o apetite global por risco. No domingo (8), Lula faz o pronunciamento nacional.

Perguntas frequentes

A eleição nos EUA explica a alta do dólar?

Não sozinha. A Exame relaciona a alta de 5/11 à aversão ao risco e à incerteza fiscal no Brasil, e liga a queda das ações de tecnologia em Nova York aos temores de regulação depois da vitória democrata.

Fontes consultadas (4)
  1. Dólar cai e Bolsa sobe após vitória democrata nos EUA; mercado aguarda decisão do Copom (noticiasaominuto.com.br)
  2. Eleições nos Estados Unidos podem afetar dólar, juros e investimentos no Brasil (imirante.com)
  3. Nasdaq despenca quase 4%, arrasta Ibovespa e dólar volta a subir (exame.com)
  4. Ibovespa acompanha baixa no exterior e dólar vai a R$ 5,49; Nasdaq desaba 5,5% (exame.com)