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O que você precisa saber

Sim, a reforma começa em janeiro de 2027, segundo o ministro Dario Durigan, que descartou adiamento nesta quinta-feira (5), apesar de pedidos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A CBS substitui PIS e Cofins a partir de 1º de janeiro; a alíquota final depende do Senado, que deve decidir até 15 de dezembro.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (5) que a reforma tributária começa em janeiro de 2027 e descartou adiamento, apesar do pedido de prorrogação feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). A fala veio um dia depois da publicação da medida provisória (MP) 1.399/2026, que trata do Imposto Seletivo. A contribuição sobre bens e serviços (CBS), que substitui PIS e Cofins, passa a valer a partir de 2027, conforme a Lei Complementar 214, de 2025.

Os pedidos de mudança vêm de setores diferentes. A CNI enviou nesta quarta-feira (4) uma carta a Durigan e ao ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, em que pede que o período de testes continue por todo o ano de 2027, com prorrogação do recolhimento de PIS e Cofins e sem cobrança de multas antes de um prazo para autorregularização. Entre as críticas, há o argumento de que o período de testes não suporta o volume de informações exigido. A OAB também pediu adiamento, sem detalhar o prazo. Segundo o Terra, entidades tributárias defendem prorrogar o início da reforma para 2028.

“Toda a programação que nós temos é para que a gente comece a reforma tributária a partir de janeiro de 2027. É claro que durante a eleição teve muita gente que atrapalhou a reforma tributária, muita desinformação, muito medo no setor produtivo, mas nós temos que vencer o medo”

Dario Durigan, ministro da Fazenda, em conversa com jornalistas ao chegar ao Ministério da Fazenda

O que muda em 2027

A CBS substitui PIS e Cofins a partir de 2027. A MP 1.399/2026, que define alíquotas e regras do Imposto Seletivo, foi publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (4) e já foi enviada ao Congresso. Pela MP, a cobrança do Imposto Seletivo começa em fevereiro de 2027, conforme a Exame. As alíquotas permanentes devem ser discutidas ao longo de 2027 e valer a partir de janeiro de 2028. Até esta quinta-feira (5), o governo não havia detalhado as alíquotas do Imposto Seletivo por produto.

Pelas regras da reforma, as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devem cair a zero para a maior parte dos produtos, com exceções para preservar o tratamento da Zona Franca de Manaus, conforme a Exame. Durigan afirmou que o IPI deixa de existir no ano que vem. Ao mesmo tempo, o governo enviou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para manter o imposto temporariamente em alguns setores e evitar um intervalo sem tributação em janeiro. O governo não detalhou quais setores serão atingidos pela PEC, e a cobertura não deixa claro como fica o IPI em janeiro de 2027.

A alíquota da CBS ainda depende do Senado

O Globo tratou a alíquota da CBS como definida, em 11,3%. Em texto assinado por Claudio Dantas, a versão é mais precisa: o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na semana passada uma proposta de alíquota de referência de 11,3% para a CBS em 2027, que segue ao Congresso. O Senado definirá a alíquota final até 15 de dezembro. A proposta supera estimativas anteriores do setor privado e do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que apontavam tributação de até 9,4%.

Programa de conformidade e multas

Durigan disse que o governo vai anunciar programas de conformidade para evitar punições a contribuintes de boa-fé no início da reforma. Em entrevista à Exame, afirmou: “Vamos ter programa de conformidade que, se tiver de boa-fé o cumprimento, não vai haver penalidade. Se tiver necessidade de estender prazo de multa ou de prestação de informação acessória, nós vamos fazer isso”. Até esta quinta-feira (5), o governo não havia divulgado data nem texto do programa.

Durigan afirmou que a reforma não aumentará a carga sobre o consumo, porque CBS e Imposto Seletivo substituem tributos existentes. Em declaração reproduzida pela Agência Brasil, disse: “A gente tem que considerar que são dois impostos novos, enquanto a gente acaba com cinco.” Projeções de analistas citadas em texto de Claudio Dantas dizem que a alíquota somada com estados e municípios poderá chegar a 30%, o que contrasta com a afirmação do ministro. A conta final depende da alíquota da CBS, ainda pendente.

Até esta quinta-feira (5), o governo não detalhou se aceitará os pedidos de prorrogação. Durigan admitiu estender prazos de multa e de obrigações acessórias, sem dizer quais nem por quanto tempo, mas descartou adiar o início da reforma. Em aberto, ficam a alíquota final da CBS, que o Senado deve definir até 15 de dezembro, e o programa de conformidade, sem data nem texto. A transição dos tributos estaduais e municipais para o IBS segue gradual até 2033.

Perguntas frequentes

O que é a CBS e quando ela começa a valer?

A CBS é a contribuição sobre bens e serviços que substitui PIS e Cofins a partir de 2027, conforme a Lei Complementar 214, de 2025. A cobrança começa em 1º de janeiro, segundo o cronograma mantido pelo ministro Dario Durigan.

Empresas de boa-fé serão multadas se errarem no início da reforma?

Durigan afirmou que o programa de conformidade não prevê penalidade para quem cumprir as regras de boa-fé, e que o governo vai estender prazos de multa e de obrigações acessórias se for necessário. O programa ainda não tem data nem texto divulgados.

Fontes consultadas (8)
  1. CBS - Contribuição Sobre Bens e Serviços (gov.br)
  2. Reforma tributária não será adiada e começa em 2027, diz ministro da Fazenda (exame.com)
  3. Durigan nega adiamento e mantém implementação da reforma tributária a partir de janeiro de 2027 (valor.globo.com)
  4. Durigan diz que reforma tributária começa em janeiro de 2027, apesar de pedidos de adiamento (terra.com.br)
  5. Ministro da Fazenda diz que início da Reforma Tributária está mantido para janeiro de 2027 após entidades pediram adiamento (oglobo.globo.com)
  6. Governo mantém previsão para início da reforma tributária para janeiro de 2027, diz Durigan (brasil247.com)
  7. Durigan: Prazo de cobrança do imposto federal sobre consumo não será adiado (claudiodantas.com.br)
  8. Ministro diz que novos impostos não trazem aumento de carga tributária (agenciabrasil.ebc.com.br)