Em uma nova investida para ampliar o controle político sobre o Banco Central (BC), o Partido dos Trabalhadores (PT) apresenta o Projeto de Lei Complementar 65/2026, de autoria do deputado Pedro Uczai (PT-SC), que busca limitar a autonomia da autoridade monetária. A proposta foi apresentada em março de 2026 e visa restabelecer a vinculação do BC ao Ministério da Fazenda.
Autonomia do Banco Central em risco
A autonomia do BC foi sancionada em fevereiro de 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, com o intuito de proteger a instituição de ingerências políticas. No entanto, Uczai argumenta que o sistema financeiro “precisa de estabilidade, mas não pode ser gerido somente pela lógica especulativa, que é a do mercado”.
Mudança de mandatos e suas implicações
Outra mudança proposta é a alteração do mandato do presidente do Banco Central para que coincida com o do presidente da República. Atualmente, há um desencontro entre os mandatos, o que gera preocupações sobre a interferência política na instituição. Especialistas como Bruno Caumont, estrategista de investimentos, alertam que essa interferência pode representar um retrocesso significativo na estabilidade econômica do país.
Banco Master como argumento político
Uczai utiliza o caso Banco Master como um argumento para justificar a necessidade de maior controle sobre o BC, alegando que a falta de limites rígidos para os mandatos dos diretores e presidentes contribuiu para escândalos financeiros. No entanto, especialistas refutam essa tese, destacando que a autonomia do BC é crucial para a estabilidade econômica.
Estudo contradiz a proposta de Uczai
Um estudo premiado conduzido pelo economista Bruno Tiberto, que atua no Banco Central, contradiz a proposta do deputado, mostrando que a autonomia das autoridades monetárias tem efeitos positivos na redução da desigualdade de renda e na estabilidade econômica.
Opinião
A proposta do deputado Uczai levanta questões importantes sobre a autonomia do Banco Central e suas implicações para a economia brasileira. A discussão sobre o controle político sobre a instituição é essencial para o futuro da estabilidade econômica do país.





