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Delegada Anne Trevizan revela uso de Instagram e Telegram em morte de Lívia

Delegada Anne Trevizan revela uso de Instagram e Telegram em morte de Lívia

A morte de Lívia, de apenas 13 anos, em Naviraí, chocou a sociedade e levantou questões sobre a segurança digital de adolescentes. Durante uma coletiva de imprensa realizada no dia 17 de outubro de 2023, a delegada Anne Karine Trevizan, da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), revelou que as plataformas Instagram, Telegram e Zangi foram utilizadas para transmitir o trágico evento.

Detalhes da investigação

Inicialmente, apenas o Discord era mencionado como o meio de transmissão do caso, mas a investigação mostrou que o Zangi Private Messenger era a principal ferramenta usada pelos membros de grupos criminosos, conhecidos como panelas, para ameaçar e coagir as vítimas. A delegada confirmou que, no momento da morte de Lívia, duas panelas se uniram para assistir ao vivo à tragédia. O vídeo do suicídio foi veiculado em várias plataformas, incluindo Instagram e Discord.

Operação Lívia e prisões

A segunda fase da ‘Operação Lívia’ resultou na prisão de 12 pessoas, sendo 11 adolescentes e um adulto de 18 anos. Dentre os adolescentes apreendidos, as idades variavam de 13 a 17 anos, todos considerados líderes das comunidades digitais envolvidas em coação para atos de automutilação e suicídio. Os crimes foram classificados como atos infracionais análogos a homicídio qualificado e organização criminosa.

O papel das panelas

Os adolescentes formavam grupos abertos, chamados panelas, onde a hierarquia era definida pela violência praticada. A delegada Anne Trevizan explicou que quanto mais atos de violência eram realizados, maior era o status do membro dentro do grupo. As vítimas, muitas vezes meninas, eram instruídas a se automutilar e a marcar objetos com seus nomes utilizando sangue.

Responsabilidade e consequências

A internação provisória dos adolescentes é de 45 dias, com a possibilidade de extensão a critério do Poder Judiciário. Embora os pais frequentemente não soubessem das atividades, a legislação prevê a responsabilização familiar conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, que destaca a importância do cuidado com o que os filhos consomem na internet.

Opinião

A tragédia envolvendo Lívia serve como um alerta sobre os perigos das redes sociais e a necessidade de maior vigilância e educação digital para jovens.