No próximo dia 19 de agosto, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lembrará os 50 anos do atentado que buscou silenciar vozes democráticas durante a ditadura militar (1964-1985). A explosão ocorreu no sétimo andar do edifício número 71 da Rua Araújo Porto Alegre, no Rio de Janeiro, e destruiu dois banheiros, causando estragos em salas vizinhas. Felizmente, ninguém se feriu no atentado.
Publicação Especial e Contexto Histórico
Para marcar essa data significativa, a ABI lançou no último sábado uma edição especial do Boletim da ABI. Esta publicação é fundamentada em documentos históricos e relatórios confidenciais que não apenas relembram o atentado, mas também destacam a importância da imprensa livre na resistência a períodos autoritários e na vigilância contra a censura e a violência política.
A principal fonte de pesquisa para essa publicação foi a edição de julho-agosto de 1976 do próprio Boletim, que foi publicada logo após o atentado. A ABI também incluiu detalhes de documentos produzidos pelos órgãos de informação da ditadura, incluindo um informe confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI), que revela o grau de vigilância política que a ABI enfrentava na época.
A Autoria do Atentado
A autoria do atentado foi assumida pelo grupo paramilitar de extrema-direita Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), que deixou um panfleto no local acusando a ABI de estar “totalmente dominada pelos comunistas”. O atual presidente da ABI, Octávio Costa, afirmou que a entidade se tornou alvo da intolerância de grupos radicais que se opunham à abertura política do regime.
Homenagem e Vigilância Contínua
No dia 19, às 17h, a ABI realizará um ato no sétimo andar do prédio-sede para homenagear as vítimas do atentado e reafirmar seu compromisso com a liberdade de expressão. Uma placa será instalada com uma frase de repúdio ao terrorismo e de valorização da democracia. A ABI, inaugurada em 1938, continua sendo um símbolo da luta pela liberdade de imprensa no Brasil.
Opinião
Relembrar o atentado à ABI é essencial para fortalecer a defesa da liberdade de expressão e garantir que a história não se repita.





