Eleições

Lula pode depender do STF para governabilidade diante de Congresso de direita

Lula pode depender do STF para governabilidade diante de Congresso de direita

Uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial pode aprofundar a dependência do Executivo em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Especialistas alertam que a nova configuração do Congresso, majoritariamente de direita, exigirá concessões de Lula, que poderá recorrer ao ativismo judicial do STF para contornar essa resistência e impor sua agenda.

O cientista político Adriano Cerqueira, professor da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), afirma que, sem uma coabitação com o Congresso, Lula poderá usar os ministros do STF para pressionar o Legislativo. Para a jurista Katia Magalhães, o fortalecimento da oposição na Câmara e no Senado criará barreiras à execução do programa petista, levando o governo a buscar no Judiciário soluções para conflitos não resolvidos por negociações.

Ativismo Judicial e Ação sobre o IOF

Um exemplo dessa dependência ocorreu em 2025, quando Lula recorreu ao STF após o Congresso sustentar um decreto presidencial sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A ação exemplifica como o STF pode intervir em decisões do Legislativo, o que para Magalhães representa um aumento do autoritarismo judiciário.

O cientista político Cerqueira também destaca que a resistência do próximo Congresso dependerá de mudanças na formação legislativa. A eleição de mais opositores não garante uma reação eficaz. Ele compara a situação de Lula à enfrentada pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2014, quando a crise com o Congresso culminou no impeachment.

Limites e Mudanças Constitucionais

Katia Magalhães ressalta que senadores podem resistir às indicações presidenciais para o STF e que o Congresso sempre teve poder sobre o tribunal. Ela defende mudanças constitucionais que reduzam as competências do STF, como retirar sua jurisdição criminal e modificar o controle concentrado de constitucionalidade, restringindo a possibilidade de levar disputas políticas diretamente à Corte.

Opinião

A relação entre o Executivo e o STF pode se tornar um campo de batalha, onde a governabilidade de Lula dependerá de um equilíbrio delicado entre os poderes, refletindo tensões políticas que podem impactar a democracia.