A definição do papel das Forças Armadas e os rumos da política externa expõem divergências estruturais entre as propostas contidas nos planos de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições deste ano.
O debate central gira em torno de discutir qual é a maior ameaça ao Estado brasileiro e como os recursos militares devem ser empregados. A proposta de Flávio Bolsonaro, entregue no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 13 de agosto de 2026, prioriza o uso dos militares no combate ao crime organizado transnacional e às redes de narcotráfico que atuam na América do Sul.
Proposta de Flávio Bolsonaro
Flávio foca em combate ao crime organizado transnacional. A soberania brasileira é associada diretamente à capacidade de segurança pública interna. O plano de Flávio avalia que o principal desafio enfrentado pelo país decorre da atuação de facções criminosas e redes transnacionais que operam além das fronteiras nacionais. A estratégia preconiza o envolvimento direto das Forças Armadas no combate às organizações narcoterroristas.
“Incentivaremos amplo espectro de tecnologias disponíveis, com foco em inovação como drones e inteligência artificial”, diz parte do plano de governo de Flávio sobre o combate ao narcotráfico e ao terrorismo. Ao adotar essa abordagem, o plano se alinha com a política externa americana, que vem focando esforços em erradicar o narcoterrorismo da América do Sul.
Proposta de Lula
O plano de Lula, registrado no TSE no início de agosto de 2026, direciona a atuação militar para dissuadir outros Estados de atacarem o Brasil. As diretrizes fundamentam-se no conceito tradicional de defesa nacional, onde a principal função das instituições militares é salvaguardar o território, a Amazônia e os recursos estratégicos diante de ameaças de países estrangeiros.
O texto do plano enfatiza que a segurança pública civil deve permanecer sob a gestão de órgãos específicos, enquanto as Forças Armadas mantêm seu foco na prontidão operacional e na autonomia tecnológica do Estado. O fortalecimento da Base Industrial e Tecnológica de Defesa (BITD) é apontado como vetor central para promover inovação e reduzir a dependência externa de suprimentos militares.
Modelos em Conflito
A comparação das propostas evidencia duas doutrinas distintas para a atuação internacional e de segurança do Estado. A proposta de Flávio Bolsonaro vincula a credibilidade internacional da soberania ao combate ostensivo do crime organizado, priorizando a cooperação com mercados consolidados e a convergência com padrões internacionais de governança.
Por outro lado, a diretriz de Lula concebe a soberania como a capacidade de manter autodeterminação geopolítica, investindo em autonomia industrial militar e consolidando a integração com países de blocos emergentes, como o Brics.
Opinião
A divergência entre as propostas de Flávio e Lula reflete diferentes visões sobre a segurança nacional e a política externa, o que pode influenciar significativamente o futuro do Brasil.





