As condições financeiras se tornaram menos favoráveis ao crescimento da economia brasileira, e a situação pode piorar ainda mais, contribuindo para uma desaceleração maior nos próximos meses. O preço do petróleo e os juros externos estão tendo peso significativo nessa piora, juntamente com a valorização do dólar e os juros domésticos, que, mesmo em queda, permanecem elevados.
A guerra entre Estados Unidos e Irã, que começou em 28 de fevereiro, trouxe um novo cenário econômico. Desde então, o índice de condições financeiras, que combina indicadores de variação de preços de ativos financeiros e físicos, juros e riscos, tornou-se desfavorável às atividades econômicas. O aumento dos juros dos títulos de longo prazo do Tesouro americano está criando uma nova onda restritiva.
Impactos do aumento de juros
O título do Tesouro de 10 anos dos EUA, uma referência para investidores globais, apresenta os maiores rendimentos em quase 20 anos, alcançando 5,28%. Os títulos de 30 anos também estão com os maiores yields desde 2004, a 5,61%. Esses aumentos afetam diretamente as taxas de juros internacionais e, indiretamente, as taxas de juros domésticas no Brasil.
As hostilidades no Estreito de Ormuz e o fracasso nas negociações entre os EUA e o Irã mantiveram as cotações do petróleo acima de US$ 100 o barril durante praticamente todo o mês de setembro. Com a inflação já resistente em muitos países desenvolvidos e a dívida pública americana ultrapassando US$ 40 trilhões, a pressão sobre os preços aumenta.
Expectativas para o Brasil
O Federal Reserve voltou a elevar os juros básicos, e os investidores esperam mais duas ou três altas. Isso impacta a curva de juros dos Treasuries e, consequentemente, a economia brasileira. O índice de condições financeiras do Banco Central do Brasil mostrou-se menos restritivo, mas os fatores que trazem restrições, como juros externos, juros domésticos e o preço do petróleo, continuam a pesar.
O dólar chegou a R$ 5,22, seu maior valor desde março, o que pode complicar ainda mais a redução da inflação, especialmente com a expectativa de piora nos próximos trimestres. A inflação já era esperada em alta, parcialmente devido a um El Niño vigoroso.
Perspectivas econômicas
A desaceleração significativa das atividades econômicas e as estimativas de avanço do PIB de apenas 1% em 2027 devem ajudar na redução do IPCA. No entanto, o elevado endividamento do Brasil o torna mais vulnerável a turbulências externas, que podem surgir repentinamente.
O aumento dos juros externos também é impulsionado pela alta emissão de dívida das big techs em inteligência artificial (IA), o que pode frear o ímpeto de investimento nesse setor. A perda de fôlego das big techs pode reverter a alta das bolsas americanas, criando um cenário de incerteza.
Opinião
A interconexão entre a guerra no Oriente Médio e a economia global destaca a fragilidade do cenário econômico brasileiro, que precisa de estratégias eficazes para mitigar os impactos externos.





