O Ministério da Justiça e Segurança Pública convocou de volta, nesta semana, policiais federais e outros servidores que estavam cedidos a outros órgãos. Essa ação tem potencial para afetar cerca de um terço da força-tarefa empenhada nas investigações do caso Master. Até o momento, não houve confirmação de nenhum delegado cedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) que tenha sido afetado pela medida.
A convocação foi interpretada por analistas como um possível ato de retaliação ao ministro André Mendonça, especialmente após as investigações do Master terem implicado pessoas próximas ao governo. O advogado criminalista André Marsiglia afirmou que, caso a intenção do governo seja realmente comprometer as investigações que afetam aliados, isso pode configurar um “desvio de finalidade”.
A medida foi oficializada um dia antes da ação contra o senador Jaques Wagner, líder de Lula no Senado, mas veio a público nesta sexta-feira (19). O Ministério da Justiça ainda não se manifestou sobre o assunto, e a Gazeta do Povo aguarda esclarecimentos.
Retorno de Delegados e Reforço no Combate ao Crime
Em abril, o presidente Lula já havia se manifestado sobre a reconvocação de delegados, afirmando que aqueles que estivessem “fingindo trabalhar” deveriam retornar. Segundo a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), 53 delegados estavam cedidos a outros órgãos, onde exercem funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro.
O delegado Guilherme Figueiredo Silva, que estava responsável por investigações relacionadas a fraudes no INSS, retornou a Minas Gerais, seu estado de origem, “a pedido” dele mesmo. O secretário-executivo Ademar Borges afirmou que o processo de retorno dos delegados é um “reforço de atividades” ligadas ao combate ao crime organizado, iniciado no fim de abril e em vigor agora em junho.
Opinião
A convocação de delegados da PF levanta questões sobre a autonomia das investigações e o impacto nas ações contra o crime organizado, mostrando a tensão entre a política e a justiça.





