Política

TCU revela desperdício de R$ 285 milhões em voos da FAB com apenas um passageiro

TCU revela desperdício de R$ 285 milhões em voos da FAB com apenas um passageiro

O Tribunal de Contas da União (TCU) revelou, em um relatório recente, ineficiências significativas no uso das aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB). Entre janeiro de 2020 e julho de 2024, foram identificados 111 voos com apenas um passageiro, além de 1.585 operações com até cinco ocupantes, representando 21% do total de voos realizados.

Os dados apontam que o uso de aviões oficiais é seis vezes e meia mais caro do que voos comerciais. No total, os gastos com transporte aéreo da FAB durante esse período somaram aproximadamente R$ 285,2 milhões, evidenciando uma ocupação média de apenas 55% das aeronaves.

O TCU calculou que o governo poderia ter economizado R$ 36,1 milhões se as autoridades tivessem utilizado voos comerciais em vez de jatos da FAB. O relatório destaca a falta de justificativas claras para o uso contínuo das aeronaves da FAB, ao invés de adquirir passagens em companhias aéreas.

A auditoria operacional analisou quase 7.500 deslocamentos aéreos, transportando mais de 73 mil passageiros, e apontou falhas de planejamento e a ausência de mecanismos que priorizem o compartilhamento de voos. Diante das constatações, o TCU estabeleceu um prazo de 30 dias para que a Casa Civil, o Ministério da Defesa e o Comando da Aeronáutica apresentem um plano para reverter essa situação.

O Ministério da Defesa informou ao TCU que é responsabilidade das autoridades que solicitam os voos manter o registro de passageiros e assegurar que os mesmos tenham vínculo com a agenda oficial. Até o fechamento desta edição, a FAB não respondeu ao pedido de comentário sobre o relatório.

Opinião

A situação exposta pelo TCU é alarmante e demanda uma revisão urgente nas práticas de transporte aéreo das autoridades, visando não apenas a economia, mas também a eficiência no uso dos recursos públicos.