Internacional

UNCCD alerta: seca severa afeta 157 municípios e 17 territórios indígenas no Brasil

UNCCD alerta: seca severa afeta 157 municípios e 17 territórios indígenas no Brasil

A seca deixou de ser um problema restrito às regiões áridas do planeta, afetando áreas antes consideradas menos vulneráveis. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000. Este tema será central na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorrerá em Ulaanbaatar, na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto.

A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, destaca a urgência de soluções concretas para mitigar os impactos da seca. “A questão já não é reconhecer a seca como um risco global, mas agir cedo o suficiente para evitar que seus impactos se espalhem pelas comunidades, economias e fronteiras”, afirma.

As projeções indicam que, até 2050, três em cada quatro pessoas no mundo poderão ser afetadas pela seca. No Brasil, todas as cinco regiões registraram secas severas em julho de 2026, com 157 municípios classificados em situação de “seca severa”. Este fenômeno é monitorado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O coordenador-geral de pesquisa e desenvolvimento do Cemaden, José Antonio Marengo, alerta que o problema deve se intensificar. “O que observamos em todo o país é uma tendência de ressecamento. Há um risco de que o desequilíbrio entre precipitação e evaporação leve a situações de agravamento das secas”, analisa.

Impacto Global e Regional

O Observatório Global da Seca destaca que, em julho, a Europa enfrentou temperaturas acima da média, com uma onda de calor prolongada. A seca se apresenta de forma intensa em várias regiões, como o Reino Unido, Itália, França, Alemanha, Hungria e Romênia. Na África, países como Sudão, Etiópia e Zâmbia também sofrem com a seca.

No Brasil, o impacto é desigual, atingindo especialmente populações que dependem dos recursos naturais, como indígenas e agricultores familiares. Em 2023, 17 territórios indígenas foram afetados pela seca severa, aumentando de três em junho. O coordenador-geral da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Toya Manchineri, descreve a situação como um “colapso ambiental em curso”.

Previsões e Desafios

A previsão de um El Niño mais intenso em 2023 levanta preocupações adicionais sobre a seca. Historicamente, eventos de El Niño intensos estão associados à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas no Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. O Programa Mundial de Alimentos estima que a seca e os impactos climáticos podem agravar a insegurança alimentar em 45 países.

Opinião

A discussão sobre a seca na COP17 é fundamental para que soluções efetivas sejam implementadas, evitando que as consequências da crise climática se agravem ainda mais.