A poucos dias do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4), a circulação de vídeos e áudios de candidatos nas redes sociais levanta preocupações. Com o avanço das ferramentas de inteligência artificial, identificar a veracidade de uma gravação se tornou um desafio, pois erros visuais não são mais os únicos indicadores de manipulação.
O especialista em cibersegurança, Paulo Baldin, da CLA Brasil, alerta que, embora características como movimentos estranhos da boca e deformações no rosto possam levantar suspeitas, esses sinais devem ser vistos como alertas e não como provas definitivas de falsificação. Um conteúdo falso pode parecer autêntico, enquanto um vídeo verdadeiro pode apresentar falhas.
Critérios do TSE para deepfakes
No contexto eleitoral, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu em setembro critérios para identificar deepfakes. Segundo a Corte, esses conteúdos sintéticos, produzidos ou manipulados com IA, devem ser claramente rotulados e não podem ser usados para favorecer ou prejudicar candidaturas.
Um estudo de 2025 revelou que os participantes identificaram vozes geradas por IA com uma taxa de acerto de apenas 60%. Isso se torna ainda mais relevante quando consideramos um caso recente: um áudio falso atribuído ao candidato Renan Santos foi analisado pelo Projeto Comprova e apresentou 99,2% de probabilidade de ter sido gerado artificialmente.
Como verificar a autenticidade de vídeos e áudios
Antes de compartilhar gravações suspeitas, é crucial investigar sua origem. Baldin recomenda procurar a publicação original e verificar a data, além de assistir ao conteúdo completo e buscar confirmações em fontes independentes.
O TSE também estabeleceu regras rigorosas em relação ao uso de deepfakes na propaganda eleitoral. Conteúdos sintéticos devem informar explicitamente sobre sua fabricação e, nas 72 horas que antecedem o pleito e até 24 horas após a votação, a publicação de novos conteúdos sintéticos é proibida.
Opinião
Com as eleições se aproximando, a vigilância sobre a veracidade das informações é mais crucial do que nunca. A população deve estar atenta e buscar fontes confiáveis para não ser enganada por conteúdos manipulados.





