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Tata Group enfrenta crise após renovação de Natarajan Chandrasekaran; tensão aumenta

Tata Group enfrenta crise após renovação de Natarajan Chandrasekaran; tensão aumenta

O conglomerado indiano Tata Group, com 158 anos de história, enfrenta sua crise institucional mais severa em quase uma década. O conselho de administração da holding controladora, Tata Sons, aprovou no dia 18 de outubro de 2023 a renovação do mandato de seu presidente, Natarajan Chandrasekaran, por mais cinco anos, além de sinalizar apoio à abertura de capital da companhia na bolsa de valores.

No entanto, essa decisão provocou uma oposição pública imediata do Tata Trusts, o braço filantrópico que detém 66% das ações da holding e é liderado por Noel Tata, meio-irmão do histórico patriarca Ratan Tata, falecido em outubro de 2024.

Conflito e Governança em Xeque

O confronto atual levanta questões sobre a governança do grupo, que faturou US$ 185 bilhões no último ano fiscal e cujas 26 companhias abertas tinham um valor de mercado consolidado de US$ 277 bilhões em março de 2026. O Tata Trusts declarou que a recondução de Chandrasekaran é uma “nulidade jurídica”, argumentando que o estatuto social da Tata Sons exige a aprovação unânime dos dois conselheiros indicados pelo braço filantrópico para a nomeação da liderança.

A votação do colegiado resultou em quatro conselheiros a favor da extensão do mandato, enquanto Noel Tata votou contra. O segundo indicado pelos fundos, Venu Srinivasan, não acompanhou o veto, evidenciando fissuras internas na representação dos acionistas controladores. A holding sustenta que a aprovação por maioria simples confere plena legalidade ao ato.

Desafios Operacionais e Pressão por IPO

A permanência de Chandrasekaran, que é o primeiro executivo de fora da comunidade parsi zoroastriana a comandar a Tata Sons, ocorre em um momento de complexidade operacional. Isso inclui a desaceleração na montadora de veículos de luxo Jaguar Land Rover e prejuízos anuais de US$ 2,33 bilhões na Air India Group após sua reestatização em 2022.

A discordância sobre a gestão executiva se conecta diretamente à divergência sobre o futuro societário da Tata Sons. A pressão por uma oferta pública inicial de ações (IPO) aumentou após o Reserve Bank of India, o banco central do país, rejeitar o pedido da holding para abrir mão de seu enquadramento como instituição financeira não bancária de grande porte, o que impõe a listagem em bolsa.

Enquanto o conselho da Tata Sons concordou em avançar com a abertura de capital, proposta que conta com o apoio do Shapoorji Pallonji Group, segundo maior acionista com 18,4%, Noel Tata afirmou que exercerá poder de veto contra o IPO, argumentando que a pressão do mercado acionário por lucros de curto prazo descaracterizaria a essência filantrópica do grupo.

A assembleia geral ordinária da Tata Sons está marcada para dezembro de 2023, e pode trazer novos desdobramentos para essa crise.

Opinião

A crise no Tata Group destaca a complexidade das relações entre governança corporativa e interesses filantrópicos, revelando um conflito que pode impactar sua trajetória futura.