O embate entre o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema e o ministro do STF Gilmar Mendes elevou a temperatura da pré-campanha presidencial de Zema, que coloca o Supremo Tribunal Federal como alvo central de sua estratégia política. Após ser confrontado por Mendes, Zema afirmou não se sentir “intimidado” e intensificou suas críticas ao tribunal, buscando ampliar sua visibilidade na corrida pelo Planalto.
Na resposta ao ministro, Zema questionou a atuação do STF, insinuando motivações políticas nas decisões da Corte. Ele declarou que não se sente intimidado e que continuará a criticar o tribunal. “Você pode estar acostumado a ameaçar seus amiguinhos da velha política, mas comigo é diferente”, disparou o pré-candidato.
Conflito e Propostas de Mudança
A troca de críticas começou quando Gilmar Mendes apontou a contradição entre as críticas de Zema e o fato de que o ex-governador recorreu ao STF para aliviar as contas de Minas Gerais. Em sua réplica, Zema afirmou que Mendes havia lhe concedido um favor, insinuando que isso o tornaria submisso ao ministro.
Em sua pré-campanha, Zema propõe mudanças estruturais no STF, incluindo a criação de um mandato de 15 anos para os ministros e a fixação de idade mínima de 60 anos para indicações. Ele também defende a necessidade de maior controle e transparência sobre o tribunal. “A primeira coisa que eu vou fazer é acabar com a farra dos intocáveis”, afirmou durante um evento em São Paulo.
Avaliação do STF e Estratégia Política
Uma pesquisa do Datafolha revelou que 75% dos brasileiros acreditam que o STF possui poder demais. O levantamento, realizado entre 7 e 9 de abril de 2026, com 2.004 entrevistas, mostra um cenário de crescente desgaste do tribunal junto ao eleitorado. A avaliação dos articuladores do partido Novo é que este cenário cria uma oportunidade para discursos críticos ao Judiciário.
O cientista político Luiz Felipe D’Avila destacou que as propostas de Zema visam reposicionar o papel do STF, fazendo com que a Corte volte a ser uma intérprete da Constituição. A estratégia de Zema, que busca nacionalizar seu nome na corrida presidencial, é vista como uma tentativa de dialogar com o eleitorado de direita.
Limites e Consequências
Especialistas alertam que a estratégia de confronto pode gerar ganhos imediatos em visibilidade, mas também impõe limites à expansão da candidatura de Zema no médio prazo. O advogado eleitoral Roosevelt Arraes ressalta que críticas ao Judiciário são parte do debate democrático, mas podem gerar consequências jurídicas se ultrapassarem certos limites.
O clima de tensão com o Judiciário aumentou após declarações do ministro Dias Toffoli, que sinalizou uma resposta mais dura a ataques a instituições com fins eleitorais. Essa situação eleva o custo da estratégia de Zema, que precisa equilibrar seu discurso para não gerar consequências jurídicas.
Opinião
A estratégia de Romeu Zema de colocar o STF no centro de sua pré-campanha reflete uma abordagem ousada, mas que pode se tornar arriscada se não for bem calibrada.





