Após arrecadar cerca de R$ 9 bilhões com a taxação de compras internacionais abaixo de US$ 50, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revogou a medida, comemorando o fim de um dos principais símbolos de desgaste político de seu terceiro mandato. A chamada “taxa das blusinhas” se tornou um dos maiores pontos de controvérsia durante sua vigência, gerando reações intensas da população e da indústria nacional.
A taxa, que impunha um imposto de 20% sobre compras de até US$ 50, foi aprovada como anexo ao projeto Mover, com todos os parlamentares do PT votando a favor. Contudo, a medida enfrentou forte oposição, com 62% dos brasileiros considerando a taxa equivocada, segundo levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg.
Repercussões e críticas
O presidente Lula, que inicialmente defendia a taxa como uma forma de combater o contrabando e aumentar a arrecadação, mudou seu discurso ao longo do tempo. Em 2024, após a repercussão negativa, ele passou a criticar a medida, afirmando que a taxa trouxe ‘prejuízo’ ao governo e que era desnecessária. Essa mudança de posição foi interpretada como uma tentativa de recuperar a popularidade em um ano eleitoral.
O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, declarou que a revogação da taxa foi uma resposta às críticas da indústria e do varejo, que alegaram que a medida estava destruindo setores importantes da economia. O empresário Luciano Hang, da Havan, foi um dos críticos mais veementes, afirmando que o fim da taxa representa um verdadeiro ‘tsunami’ para a indústria e o varejo nacionais.
Impacto na economia e no eleitorado
A taxa das blusinhas teve um impacto significativo nas classes de baixa renda, que são a base eleitoral de Lula. Estima-se que 14 milhões de pessoas das faixas C, D e E deixaram de importar produtos online entre agosto de 2024 e abril de 2025, representando uma queda de 35% nas importações. Enquanto isso, as classes A e B apresentaram uma redução menor, de 11%.
Com a revogação da taxa, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) alertou sobre a ampliação da ‘assimetria competitiva’ entre a indústria nacional e as plataformas internacionais de e-commerce, que já operam sob condições desafiadoras.
Opinião
A revogação da taxa das blusinhas evidencia a fragilidade da popularidade do governo Lula e a necessidade de alinhar suas políticas às expectativas da população, especialmente em ano eleitoral.





