O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, assinou um acordo com a Confederação dos Trabalhadores da Bolívia (COB) em 19 de outubro de 2023, marcando um passo significativo para a resolução de um conflito que paralisou o país por 50 dias. Os bolivianos enfrentaram longas filas para abastecer os carros e dificuldades de acesso a alimentos e medicamentos devido aos bloqueios de estradas.
O secretário-executivo da COB, Mario Argollo, destacou a urgência da situação: “Há um país esperando que a fumaça branca apareça hoje”. Os protestos envolveram trabalhadores, camponeses, mineiros e professores, que se mobilizaram contra as reformas propostas por Paz e a falta de resultados no enfrentamento da crise econômica.
Crise e Conflitos
Os manifestantes organizaram barricadas com contêineres de lixo nas proximidades do palácio do governo. A polícia respondeu com bombas de gás lacrimogêneo, resultando em pelo menos cinco detenções durante os confrontos. A mobilização evidenciou a insatisfação popular com a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos, além da disparada dos preços.
O governo estima que os bloqueios de estradas causaram prejuízos superiores a US$ 1,2 bilhão (R$ 6,2 bilhões). Em cidades como La Paz e El Alto, a população enfrenta dificuldades em postos de gasolina e falta de insumos médicos em hospitais.
Poderes Ampliados
Rodrigo Paz, que assumiu a presidência após duas décadas de governos socialistas, sancionou uma lei para ampliar seus poderes de estado de exceção, permitindo restringir a liberdade de circulação e reunião. Essa medida também autoriza a participação das Forças Armadas na remoção de bloqueios em rodovias, gerando ainda mais tensão no cenário já conturbado.
Opinião
A assinatura do acordo pode ser vista como um primeiro passo, mas os desafios econômicos e sociais permanecem imensos, exigindo diálogo contínuo e ações eficazes por parte do governo.





