Esta semana promete ser decisiva para o futuro do transporte público em Campo Grande. A prefeita Adriane Lopes (PP) deve decidir se o Município intervirá na concessão do serviço, administrada pelo Consórcio Guaicurus desde 2012. A situação do transporte coletivo na capital se agravou, com diversas reclamações e processos acumulados nos últimos meses.
Um relatório final, resultado de uma comissão instituída pela prefeitura, será entregue hoje à prefeita, que avaliará o futuro da concessão. Na última terça-feira, a última etapa do processo foi concluída com uma audiência pública que contou com a presença de autoridades municipais de trânsito. O diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ciro Ferreira, destacou a necessidade de uma decisão devido à precariedade do serviço.
Frota em estado crítico
Um dos principais fatores que pode levar à intervenção é a condição da frota. Durante a audiência, Paulo da Silva, diretor-presidente da Agência de Regulação dos Serviços Públicos de Campo Grande (Agereg), revelou dados alarmantes: 197 ônibus estão vencidos e 15 fora de atividade. Além disso, há 13 ônibus acima do limite de idade de 10 anos, todos articulados, o que levanta sérias preocupações sobre a segurança e a qualidade do serviço.
Além das questões relacionadas à frota, o Consórcio Guaicurus é alvo de denúncias sobre falta de manutenção e irregularidades financeiras, como a transferência de R$ 32 milhões para a Viação Cidade dos Ipês sem justificativa. Desde 2012, o consórcio também omitiu receitas e fluxos de caixa, conforme constatado por uma CPI do Transporte Coletivo.
Conflito financeiro e greve
A situação financeira do consórcio é outro ponto de tensão. A tarifa técnica atual é de R$ 6,57, mas o consórcio solicita um aumento para R$ 7,79, alegando a necessidade de reequilíbrio econômico-financeiro do contrato. Vale lembrar que, em dezembro do ano passado, a prefeitura atrasou o pagamento do 13º salário dos motoristas, resultando em uma greve que paralisou o serviço por quase uma semana.
O Consórcio Guaicurus reafirmou seu interesse em continuar operando o transporte público, mas condiciona sua permanência ao reajuste dos valores do contrato. Em nota, a concessionária destacou que o relatório da Agetran demonstra a eficiência do serviço, com 99,99% de cumprimento das viagens.
Opinião
A decisão da prefeita Adriane Lopes será crucial para resolver a crise no transporte público, que afeta diretamente a vida dos cidadãos de Campo Grande.





