Pelo menos 52 guerrilheiros foram mortos em confrontos entre duas facções rivais das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) na região de Guaviare, Colômbia. A informação foi divulgada por uma das facções envolvidas nos combates, que disputam o controle de uma área estratégica para a produção e o tráfico de cocaína.
Os confrontos, considerados os mais violentos dos últimos meses, ocorreram às vésperas da eleição presidencial marcada para 28 de maio, quando os colombianos escolherão o sucessor do presidente de esquerda Gustavo Petro. O presidente tem enfrentado dificuldades em avançar nas negociações de paz com os diversos grupos armados do país.
O ministro da Defesa, Pedro Sánchez, confirmou os confrontos nas redes sociais, assim como o Exército, embora ambos não tenham fornecido detalhes sobre o número de mortos. Sánchez afirmou que tropas foram enviadas à área para proteger a população civil.
Os combates ocorreram entre uma dissidência das Farc, liderada por Nestor Gregorio Vera, conhecido como Iván Mordisco, e outra comandada por Alexander Díaz Mendoza, conhecido como Calarcá Córdoba. Ambos os grupos rejeitaram o acordo de paz de 2016, que permitiu a cerca de 13 mil integrantes das Farc depor as armas.
O grupo liderado por Díaz Mendoza está participando das negociações de paz com o governo de Petro, enquanto a facção de Vera permanece em conflito com as autoridades desde que o governo suspendeu um cessar-fogo bilateral com o grupo em 2024.
Os confrontos ocorreram nas selvas do departamento de Guaviare, próximo ao povoado de Barranco Colorado. Na semana passada, o Estado-Maior Central, a maior dissidência das Farc, anunciou a suspensão de suas operações militares contra as forças de segurança entre 20 de maio e 10 de junho, mas não uma suspensão total de suas atividades militares, o que significa que confrontos com outras organizações armadas não estão incluídos na pausa operacional.
Além disso, guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN) também anunciaram um cessar-fogo separado antes da eleição deste fim de semana. O conflito armado colombiano, que já dura mais de seis décadas, é financiado principalmente pelo narcotráfico e pela mineração ilegal, e deixou mais de 450 mil mortos e milhões de deslocados.
Opinião
Os recentes confrontos revelam a fragilidade da paz na Colômbia, destacando a necessidade urgente de um diálogo efetivo entre o governo e os grupos armados.





