Economia

Mercado Imobiliário de MS enfrenta crise com inflação e juros elevados: o que vem a seguir?

Mercado Imobiliário de MS enfrenta crise com inflação e juros elevados: o que vem a seguir?

O mercado imobiliário de Mato Grosso do Sul vive um momento de expansão, mas enfrenta desafios significativos. A inflação persistente e os juros elevados têm gerado tensão no setor, que pode frear o ritmo dos negócios nos próximos meses.

Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) revelam que o volume de financiamento imobiliário com recursos da poupança somou R$ 252,6 milhões no primeiro bimestre de 2023, uma queda de 5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do aumento no número de contratos, que passou de 871 para 890 imóveis financiados, o valor médio das operações diminuiu, refletindo um comportamento mais cauteloso dos compradores.

Impacto da Selic e do FGTS

A taxa Selic foi reduzida para 14,5% ao ano em 29 de abril de 2023, mas ainda permanece em um dos maiores patamares das últimas duas décadas. A vice-presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Creci-MS), Simone Leal, aponta que os juros altos são o principal fator que afeta a demanda, encarecendo o crédito e afastando potenciais compradores.

O orçamento do FGTS para habitação é de mais de R$ 140 bilhões, o que poderia ajudar a mitigar os efeitos da inflação e dos juros altos. No entanto, a baixa remuneração da poupança está limitando os recursos disponíveis para o SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), a principal fonte de financiamento habitacional em MS.

Oportunidades em meio à crise

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor acreditam que há espaço para crescimento. A presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis-MS), Luciana de Almeida, destaca que o Estado continua atraindo novos moradores e investimentos, o que sustenta a demanda por imóveis. Os juros de financiamento imobiliário variam entre 11% e 12,5% ao ano, o que, segundo ela, é considerado favorável em comparação aos últimos anos.

O presidente do Creci-MS, Roberto da Cunha, também acredita que o setor permanece aquecido, especialmente na demanda por imóveis residenciais. Ele ressalta que, embora os juros ainda pressionem o mercado, o segmento apresenta fundamentos mais sólidos do que em ciclos anteriores.

Expectativas futuras

A situação do mercado imobiliário está intimamente ligada ao comportamento da taxa básica de juros. O Banco Central do Brasil (BCB) reconhece que a desaceleração da inflação está em curso, mas mantém cautela devido às incertezas do cenário internacional, que podem impactar os preços de combustíveis e alimentos. O Copom destacou que as projeções inflacionárias permanecem acima da meta, aumentando a incerteza para a política monetária.

Opinião

O mercado imobiliário de MS está em uma encruzilhada: enquanto oportunidades surgem com novos investimentos, a pressão da inflação e dos juros elevados exige cautela e planejamento estratégico por parte dos envolvidos no setor.