A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de bens de até R$ 481,5 milhões da gestora de recursos Acura e de dois diretores, em uma tentativa de garantir o resgate de investimento do Rioprevidência no fundo Revolution, ligado ao Banco Master. A decisão foi assinada pela juíza Aline Maria Gomes Massoni da Costa, da 10ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense, em 24 de março de 2023.
A medida atende a um pedido do governo do Rio de Janeiro e do Rioprevidência, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. O órgão previdenciário investiu R$ 481,5 milhões no fundo Revolution, sob administração da Master Corretora e gestão da Acura, a partir de 23 de maio de 2025. O resgate tem liquidação prevista para 17 de agosto de 2026, mas a análise do governo estadual levantou dúvidas sobre a capacidade da carteira de gerar resultados.
A juíza determinou o bloqueio de valores da Acura e dos diretores Fernando Luiz de Senna Figueiredo e Ana Cristina Guerreiro Bezerra. A Folha buscou contato com a gestora e os executivos, mas não obteve retorno até a publicação deste texto. A decisão judicial também proíbe a Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, de adotar providências para retardar o resgate do investimento solicitado pelo Rioprevidência.
A juíza estabeleceu ainda a apresentação, em até 15 dias, de parecer de auditoria externa independente em relação ao fundo Revolution. A Folha também procurou a defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mas não obteve retorno.
Esta é a segunda decisão favorável obtida nesta semana pelo governo do Rio de Janeiro e pelo Rioprevidência no caso Master. Na quinta-feira (23), a Justiça havia determinado o bloqueio de bens para garantir a recuperação de até R$ 135,2 milhões perdidos em investimentos em outro fundo, o Texas I FIA. O Rioprevidência se tornou alvo de investigações da Polícia Federal por aportes bilionários em ativos ligados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL), que renunciou ao cargo de governador em março e foi substituído interinamente pelo desembargador Ricardo Couto.
Opinião
A situação do Rioprevidência e os bloqueios judiciais refletem a necessidade urgente de transparência e responsabilidade na gestão de recursos públicos.





