Seu carro é relativamente novo? Se sim, é provável que você esteja dirigindo praticamente um computador sobre rodas plenamente capaz de vigiar seus hábitos, rotina e até sua vida por meio da coleta de dados. E não pense que estas informações servem apenas para fins comerciais — na verdade, existe até a possibilidade real de invasões cibernéticas que podem muito bem colocar em risco a segurança dos ocupantes do veículo.
Montadoras vendem dados sobre como motorista dirige a seguradoras. Segundo a consultoria McKinsey, cerca de 50% dos carros já tinham alguma conexão com a internet em 2021, mas o esperado é que o número suba para 95% até o fim da década. Portanto, quem dirige um veículo conectado já vem fornecendo uma série de informações sobre os hábitos e comportamentos ao volante.
Espionagem corporativa e o bolso do motorista
A gravidade do mercado de dados automotivos ficou clara após a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) punir a General Motors através da proibição da venda de dados por cinco anos. O caso veio à tona quando um motorista descobriu um relatório de 130 páginas detalhando todas as suas viagens. O material foi vendido para a empresa LexisNexis e repassado a seguradoras, resultando em um aumento de 21% no valor da apólice de seguro.
No Brasil, o compartilhamento dessas informações é regulado pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O problema ultrapassa a barreira da invasão de privacidade e pode atingir também a dimensão da segurança física. Fabio Assoline, analista sênior da empresa de segurança Kaspersky, confirmou que o perigo de hackers assumirem o controle de veículos autônomos e conectados não é ficção — aliás, o especialista recordou um caso emblemático de 2015, quando hackers conseguiram invadir o sistema de um carro em movimento e assumir os comandos do acelerador e dos freios.
Vale lembrar que não há motivo para pânico, já que as empresas do setor estão cientes do risco e trabalham com sistemas de segurança bastante robustos, principalmente nos carros autônomos. “Um cibercriminoso que quisesse invadir [o carro] teria de estudar toda a infraestrutura do veículo, os meios de comunicação, e encontrar vulnerabilidades nela. Não seria ficção e, em várias pesquisas feitas no passado, foi demonstrado que esse cenário é possível”, finalizou.
Opinião
A crescente conexão dos veículos traz à tona questões importantes sobre privacidade e segurança, exigindo uma reflexão profunda sobre como os dados são geridos e protegidos.





