Os entregadores de aplicativos no Brasil, que somam cerca de 1,7 milhão, expressaram insatisfação com as recentes medidas do governo Lula, destacando um desgaste nas relações entre a categoria e a administração federal. Apesar das tentativas de regulamentar o trabalho por aplicativos e de oferecer uma linha de crédito de R$ 4 bilhões pelo programa Move Brasil, muitos trabalhadores permanecem céticos quanto aos benefícios reais dessas iniciativas.
Críticas ao programa Move Brasil
A linha de crédito, que começará a operar em 27 de julho de 2026, tem como objetivo financiar motos e bicicletas elétricas, mas, segundo líderes da categoria, não atende às reais necessidades dos entregadores. Abel Santos, presidente da Associação dos Trabalhadores por Aplicativos e Motociclistas (Atam), afirmou que a maioria dos trabalhadores enfrenta restrições de crédito, o que dificulta a aprovação dos financiamentos. “Oferecer empréstimos não resolve o principal problema dos entregadores, que é a baixa remuneração paga pelas plataformas”, criticou.
Experiências negativas com financiamento
O ceticismo é reforçado pela experiência negativa com uma linha de financiamento anterior, de R$ 30 bilhões para motoristas de aplicativo, que não conseguiu efetivar os empréstimos prometidos. Para Alexandre Santos, presidente da Associação União Maior, as medidas do governo são vistas como eleitoreiras e insuficientes para resolver a questão da renda dos trabalhadores. “Sem melhorar a remuneração, oferecer crédito significa apenas criar mais endividamento”, afirmou.
Desgaste nas relações com o governo
A frustração com o governo não é recente e remonta à campanha de 2022, quando Lula prometeu regulamentar o trabalho por aplicativos. No entanto, o projeto enfrentou resistência e acabou travado na Câmara, gerando um desgaste significativo. A proposta de uma remuneração mínima de R$ 10 por entrega foi rejeitada, e as prioridades dos entregadores não foram devidamente discutidas.
Impacto da concorrência no setor
Embora a chegada de novas plataformas tenha gerado um aumento temporário na remuneração em algumas regiões, líderes da categoria afirmam que esses ganhos são efêmeros e não sustentam a realidade financeira dos trabalhadores. “É uma melhoria, mas ela tem uma duração muito limitada”, destacou Alexandre Santos.
Opinião
A relação entre os entregadores e o governo Lula parece estar em um ponto crítico, e as medidas anunciadas até agora não foram suficientes para restaurar a confiança da categoria. A busca por soluções mais eficazes e que realmente atendam às demandas dos trabalhadores é urgente.





