Internacional

Emirados Árabes Unidos e Iraque ampliam oleodutos para desafiar Irã no Golfo

Emirados Árabes Unidos e Iraque ampliam oleodutos para desafiar Irã no Golfo

Os Emirados Árabes Unidos e o Iraque estão investindo em novos oleodutos para expandir suas capacidades de transporte de petróleo, buscando alternativas ao Estreito de Ormuz, que está sob controle do Irã. A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) planeja iniciar a operação de um oleoduto que ligará seus campos de petróleo ocidentais ao porto de Fujairah até 2027. Atualmente, o oleoduto existente já transporta entre 1,5 e 1,8 milhão de barris por dia, e a nova estrutura deve dobrar essa capacidade.

Desenvolvimentos no Iraque

O Iraque também está avançando com a construção de um oleoduto com capacidade para 2,5 milhões de barris por dia, conectando Basra a Haditha. As exportações estão sendo planejadas por diversas rotas, incluindo o porto de Aqaba, na Jordânia, e o porto de Baniyas, na Síria. Além disso, o oleoduto que liga o campo de petróleo de Kirkuk ao porto de Ceyhan, na Turquia, terá sua capacidade aumentada de 200 mil para 500 mil barris por dia.

Impactos do Bloqueio

As exportações iraquianas pelo Estreito de Ormuz estão bloqueadas desde 28 de fevereiro de 2023, e a produção de petróleo bruto do país representa apenas 30% do que era antes do início da guerra. O Estreito de Ormuz é vital, já que em tempos de paz transporta cerca de 15 milhões de barris de petróleo por dia, representando 20% da demanda global.

Reação da Arábia Saudita

A Arábia Saudita, a maior produtora de petróleo do Golfo, também reagiu rapidamente ao bloqueio, aumentando a capacidade de seu oleoduto que liga os campos de petróleo do leste ao Mar Vermelho para 7 milhões de barris por dia, um aumento significativo em relação aos 2 milhões de barris por dia que transportava anteriormente.

Desafios à Vista

Apesar dos avanços, contornar o Estreito de Ormuz apresenta desafios, incluindo limitações de volume. Mesmo com os novos oleodutos em operação, eles conseguiriam suprir apenas cerca de 20% do petróleo que flui pelo estreito em tempos de paz. Além disso, problemas financeiros e possíveis atrasos na construção do oleoduto iraquiano, que já recebeu um investimento de US$ 1,5 bilhão, podem complicar ainda mais a situação.

Opinião

A crescente tensão no Golfo e a busca por rotas alternativas de petróleo demonstram a fragilidade da dependência de canais específicos, ressaltando a necessidade urgente de diversificação na infraestrutura energética da região.