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O que você precisa saber

Ainda não. A OAB Nacional pediu adiar para 1º de janeiro de 2028 etapas da reforma previstas para 2027, e 14 entidades pediram adiar a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) para 2028. O pedido não tem efeito legal, e o ministro Durigan mantém janeiro de 2027.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu que as etapas da reforma tributária previstas para 2027 sejam adiadas para 1º de janeiro de 2028. O Conselho Federal e as 27 seccionais assinaram o manifesto na quarta-feira (4), que se soma a uma carta aberta de 14 entidades ligadas ao direito tributário, divulgada na terça-feira (3). O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a data está mantida: a cobrança da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substitui o PIS e a Cofins, continua prevista para janeiro de 2027.

Os pedidos não têm o mesmo alcance. A carta das 14 entidades, de acordo com a Veja, pede adiar para 2028 o início da cobrança efetiva da CBS e manter 2027 como ano de testes. O manifesto da OAB, que traz a data de 1º de janeiro de 2028, inclui também o Imposto Seletivo. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) enviou carta a Durigan e ao ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, na quarta-feira (4), pedindo o adiamento e a continuidade dos testes da CBS por todo o ano de 2027.

Por que as entidades pedem mais tempo

A Veja informou que, para as entidades, o sistema de apuração assistida ainda não está plenamente operacional, o que dificultaria os testes antes da cobrança efetiva e aumentaria o risco de recolhimentos incorretos. As entidades também apontam que disputas judiciais sobre CBS e IBS poderão ser examinadas pela Justiça Federal e pela Justiça estadual, respectivamente, o que pode gerar decisões divergentes sobre operações semelhantes. A presidente do Cenapret, Mary Elbe Queiroz, descreveu um quadro de insegurança: “Ninguém está pronto para começar a apurar e pagar os novos tributos”, disse ao Terra.

O presidente do Conselho Federal da OAB, José Alberto Simonetti, o Beto Simonetti, afirmou no manifesto: “A modernização do sistema tributário brasileiro deve avançar, mas sua implementação precisa respeitar a segurança jurídica”. Para a entidade, o tempo até o fim de 2026 é curto diante da complexidade das mudanças, e a falta de discussão adequada pode levar à aplicação de alíquotas elevadas e injustas. A OAB informa ainda que já acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra aumentos de carga tributária que considera abusivos.

O que diz o governo

Durigan disse a jornalistas, segundo O Globo, que a programação é começar a reforma e fazer a transição a partir de janeiro de 2027. O ministro também afirmou que houve quem atrapalhasse a reforma durante a eleição, e citou desinformação e medo no setor produtivo.

“É claro que teve muita gente que atrapalhou a Reforma Tributária durante a eleição, muita desinformação e medo no setor produtivo.”

Dario Durigan, ministro da Fazenda, em conversa com jornalistas, segundo O Globo

A Receita, de acordo com a Veja, sustenta que o calendário está na Constituição e não pode ser mudado por decisão administrativa. O adiamento, portanto, depende de alteração na legislação, e até lá vale o calendário aprovado pelo Congresso.

A PEC em coleta de assinaturas

Na Câmara, a deputada Any Ortiz (PP-RS) coleta assinaturas para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende obter o adiamento, informou a Gazeta do Povo. Na justificativa da proposta, citada pelo jornal, ela escreve: “A necessidade desse período adicional decorre da amplitude e da complexidade operacional da implantação do novo sistema tributário”. A PEC ainda está na fase de coleta de assinaturas.

O que muda em janeiro de 2027

A partir dessa data, a CBS passa a ser cobrada de forma efetiva, e o PIS e a Cofins são extintos. Também entra em vigor o Imposto Seletivo. Em 2026, o ano é de testes, com CBS de 0,9% e IBS de 0,1%. O ICMS e o ISS só serão substituídos pelo IBS entre 2029 e 2032, com conclusão prevista para 2033.

Alíquota da CBS depende do Senado

Em 28 de outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou o cálculo que fixa em 11,3% a alíquota de referência da CBS para 2027. A estimativa anterior era de 9,21%, segundo a Veja e O Globo, o que dá uma diferença de 2,09 pontos percentuais, cerca de 23%. A Gazeta do Povo, por sua vez, cita estimativas do Planalto de 8,5% a 9%. Segundo a Veja, o governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027.

Pela estimativa anterior, de acordo com O Globo, a CBS de 9,21% e o IBS de 18,70% somavam 27,91%. Com a CBS de 11,3% e o IBS de 18,70% daquela estimativa, a soma hipotética chegaria perto de 30%, mas a alíquota do IBS ainda não está definida. Cabe ao Senado fixar a alíquota definitiva da CBS por resolução até 15 de dezembro. O relator na Comissão de Assuntos Econômicos, Eduardo Braga (MDB-AM), considera a alíquota elevada e sinalizou que pode reduzi-la, informou o Congresso em Foco.

Como estão as empresas

A Receita informou, segundo a Veja, que 86% dos documentos fiscais emitidos por empresas sujeitas às novas exigências já traziam a CBS em outubro, com 3,7 bilhões de notas com o tributo contra 600 milhões sem ele, em um período de 30 dias. Por estabelecimento, o avanço é menor: no início de outubro, cerca de 855 mil dos 1,27 milhão de estabelecimentos obrigados (67%) já tinham incluído a CBS em todas ou em parte das notas. Cerca de um terço ainda não havia incorporado a exigência.

O que ainda não está definido

Até esta quinta-feira (5), o Senado não havia divulgado a data da votação da alíquota nem a da audiência pública sobre os critérios do TCU. A alíquota do IBS segue sem definição, e o governo não detalhou a base do cálculo dos R$ 636 bilhões de arrecadação estimada com a CBS. Por ora, o adiamento existe só como pedido.

Próximos passos

  • Em 10 de novembro, o TCU deve encaminhar aos senadores o cálculo da alíquota da CBS.
  • Até 15 de dezembro, o Senado deve fixar a alíquota da CBS por resolução.
  • Em 1º de janeiro de 2027, começa a cobrança efetiva da CBS, com fim do PIS e da Cofins e entrada em vigor do Imposto Seletivo, salvo mudança legislativa.

Perguntas frequentes

Quem decide a alíquota da CBS?

O Senado, por resolução, até 15 de dezembro. O cálculo do TCU, que fixa a alíquota de referência em 11,3%, deve ser encaminhado aos senadores em 10 de novembro.

Qual é a alíquota de referência da CBS para 2027?

O TCU aprovou em 28 de outubro um cálculo que fixa a alíquota de referência em 11,3%. O valor definitivo ainda depende de resolução do Senado.

Fontes consultadas (10)
  1. Reforma tributária: entidades pedem adiamento de novo imposto para 2028 (veja.abril.com.br)
  2. OAB pede adiamento de implementação da Reforma Tributária para 2028 (oglobo.globo.com)
  3. OAB Pará defende adiar mudanças da reforma tributária para 2028 (oliberal.com)
  4. Reforma tributária: em manifesto, OAB Nacional defende adiar mudanças para 2028 (terra.com.br)
  5. OAB pede adiamento para 2028 de mudanças da reforma tributária previstas para 2027 (correiodoestado.com.br)
  6. OAB pede adiamento da reforma tributária para 2028 por riscos jurídicos (gazetadopovo.com.br)
  7. OAB pede adiamento dos novos tributos da reforma tributária para 2028 (congressoemfoco.com.br)
  8. OAB pede adiamento da reforma tributária para 2028 (revistaoeste.com)
  9. Ministro da Fazenda diz que início da Reforma Tributária está mantido para janeiro de 2027 após entidades pediram adiamento (oglobo.globo.com)
  10. Conselho Federal e seccionais da OAB pedem o adiamento da reforma tributária para 2028 (rotajuridica.com.br)