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O que você precisa saber

O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, associou parte da alta de 3,9% nas vendas mesmas lojas em outubro à proibição das apostas on-line. A companhia afirma que a proibição pode gerar melhora de 4% a 5% na base total, mas o efeito ainda não foi medido, e a campanha de aniversário também é citada como fator.

O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, associou parte da alta de 3,9% nas vendas mesmas lojas da rede em outubro, na comparação com outubro de 2025, à proibição das apostas on-line, as bets. A alta foi apresentada na divulgação do balanço do 3º trimestre, que cobre julho a setembro, antes da medida. A MP 1.394/2026, assinada em 25 de setembro, proibiu as apostas e previa a saída das plataformas do ar a partir de 6 de outubro.

No trimestre, a receita bruta somou R$ 21,3 bilhões, alta de 2,7%, mas as vendas mesmas lojas cresceram só 0,1%. O lucro líquido contábil chegou a R$ 427 milhões, alta de 119%, com R$ 179 milhões de créditos de PIS/Cofins. Sem esse efeito, o lucro recorrente foi de R$ 248 milhões, alta de 55,2%. A empresa encerrou setembro com R$ 6,8 bilhões em caixa e recebíveis disponíveis, 313 lojas e alavancagem de 2,15 vezes.

O que a companhia diz sobre a alta de outubro

Segundo levantamento da Abras publicado pela TVT News, as vendas do varejo alimentar subiram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18, na comparação com 2025. Já a melhora do Assaí, segundo a companhia, se concentrou nas lojas de baixa renda, sobretudo no interior do Nordeste, com alta do tíquete médio e das compras de alimentos básicos, carnes e bebidas.

“Temos, pelo menos, uma ideia de uma potencial melhoria em torno de 4% a 5% na base total, o que é muito pesado para alimentos”

Belmiro Gomes, presidente do Assaí, em coletiva com jornalistas, segundo o Valor Econômico

Os números de outubro e a previsão de 4% a 5% são da própria companhia. Belmiro disse que ainda é cedo para medir o efeito exato e que é preciso esperar novembro e dezembro para confirmar a tendência.

A TVT News diz que a campanha de aniversário de 52 anos da rede contribuiu para o resultado de outubro. Na Exame, Belmiro afirmou que a ação também ocorreu em outubro de 2025 e que as bases se anulam na comparação anual.

Na apresentação do balanço, Belmiro afirmou, de acordo com A TARDE, que, se a proibição for mantida, as famílias provavelmente terão um Natal mais forte, mais gordo este ano.

A MP ainda depende do Congresso

A MP 1.394/2026 ainda depende de votação no Congresso Nacional e não tem caráter definitivo. Belmiro disse à Exame: “Tudo que é provisório... O próprio nome já diz”.

O que muda com o fim da escala 6x1

A Emenda Constitucional 141/2026 extinguiu a escala 6x1 e fixou o limite de 40 horas semanais, com dois dias de repouso remunerado. O limite de 40 horas semanais deve entrar em vigor em um ano, segundo o STF, e o efeito mais expressivo está previsto para 12 meses depois da primeira etapa, na avaliação do ministro Flávio Dino. A primeira etapa prevê prazo de 60 dias para cair de 44 para 42 horas semanais, com duas folgas por semana.

O Assaí estuda, em articulação com entidades do setor, reduzir o horário de funcionamento no próximo ano. Em coletiva, segundo o Valor Econômico, a companhia disse que é muito provável que, depois da virada do ano, haja encurtamento nos horários de abertura, a exemplo de países com escala 5x2. A empresa diz que já elaborou medidas mitigadoras e que a visão é conseguir anular o impacto na margem, com despesa de pessoal de cerca de 5% da venda, contra mais de 10% nos supermercados.

Audiência no STF trata só da implementação

O ministro Flávio Dino marcou audiência de conciliação para terça-feira (10), às 14h, na Sala de Sessões da Primeira Turma do STF, no âmbito da ADI 8041, apresentada pela CNC. Segundo o ministro, a redução da carga horária e a ampliação do repouso semanal não estão em discussão. O encontro trata de pontos da implementação que podem ser negociados coletivamente. A ADI 8042, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), também questiona as regras de transição.

Segundo Dino, declarar a inconstitucionalidade de uma emenda constitucional é medida excepcional, cabível quando há violação dos limites ao poder de reforma. Cabe ao STF verificar esses limites, não substituir escolhas do Legislativo.

Em outra frente, o Fumus Boni Iuris, newsletter do O Globo, relata que empresas consultam escritórios de advocacia antes das negociações coletivas, e especialistas veem risco de litígio com funcionários e sindicatos.

Ainda não se sabe quantas lojas terão horário reduzido nem qual será o tamanho do corte. Até esta sexta-feira (6), não havia data marcada para a votação da MP no Congresso. A Exame menciona um recurso do setor de apostas ao STF, sem detalhar seu conteúdo. Até esta sexta-feira (6), o governo não havia divulgado avaliação sobre o efeito das apostas no consumo.

A audiência de terça-feira (10), às 14h, no STF, trata da implementação da escala 6x1 e não da MP das bets. Para o Assaí, o teste são os números de novembro e dezembro, que a companhia diz que devem confirmar ou não a tendência de outubro.

Fontes consultadas (7)
  1. Fim da escala 6x1 gera consultas às bancas de advocacia (oglobo.globo.com)
  2. Escala 6×1: STF marca audiência de conciliação para debater implementação da mudança (noticias.stf.jus.br)
  3. Assaí registra alta nas vendas após proibição das bets e anuncia planos de expansão (tvtnews.com.br)
  4. Rede de atacado registra alta nas vendas após proibição das bets | A TARDE (atarde.com.br)
  5. Assaí já sente aumento de vendas com fim das bets: ‘movimento de maior volume de compra’ (valor.globo.com)
  6. Sem bets, cliente do Assaí volta a gastar mais: vendas sobem 3,9% em outubro (exame.com)
  7. Assaí vê espaço para reduzir peso de custos, se ritmo de vendas pós-bets continuar (valor.globo.com)