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O que você precisa saber

O adiamento ainda não foi decidido. Entidades jurídicas e a OAB pedem ao Congresso mais um ano de transição para a CBS, mas o Ministério da Fazenda descartou a mudança e mantém 1º de janeiro de 2027. Mudar a data exige alterar a lei ou a Constituição.

A Liga Internacional de Negócios e Exportação e o Observatório de Direito Administrativo pediram ao Congresso, de acordo com o Correio Braziliense, que a cobrança efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto Seletivo comece em 1º de janeiro de 2028, e não em 2027. Outras entidades, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também pediram o adiamento da CBS. Segundo a Revista Oeste, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou o adiamento nesta quinta-feira (5) e afirmou que a CBS entra em vigor em 1º de janeiro de 2027, no lugar do PIS e da Cofins, contribuições federais sobre a receita.

Os números de signatários divergem. A Veja falou em 14 entidades ligadas ao direito tributário; o Valor, em mais de 20 entidades de advogados; e a Revista Oeste, em 27 organizações, entre elas a OAB e a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Correio Braziliense e o Jornal de Brasília citam apenas duas entidades, a Liga Internacional de Negócios e Exportação e o Observatório de Direito Administrativo, e incluem também o Imposto Seletivo no pedido; a Veja e o Valor tratam só da CBS. O Globo informou que o Conselho Federal da OAB e as 27 seccionais se manifestaram. Não está claro se se trata de cartas diferentes.

Por que as entidades pedem mais tempo

O argumento central é a alíquota. Em 28 de outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um cálculo de referência de 11,3% para a CBS em 2027, acima dos 9,21% estimados antes, e o valor ainda depende de definição do Senado, com prazo até 15 de dezembro. Para as entidades, essa indefinição compromete o planejamento, porque afeta a formação de preços, a negociação com fornecedores e o cálculo dos tributos em cada operação. Segundo o Metrópoles, só para substituir PIS e Cofins bastariam 10,2%; o percentual maior vem de setores com tratamento especial.

O ex-secretário de Reforma Tributária Bernard Appy, em entrevista ao Valor, afirmou que estender o período de testes de 2026 para 2027 exigiria emenda constitucional, mas que, num governo recém-eleito, isso não é impossível. Ele também disse que a alíquota de 11,3% não vai vigorar até 2033, já que a alíquota de referência deve ser fixada ano a ano até lá.

“É claro que, durante as eleições, teve muita gente que atrapalhou a reforma tributária, muita desinformação, muito medo no setor produtivo”

Dario Durigan, ministro da Fazenda, em declaração citada pela Revista Oeste

O que muda para empresas e consumidores

Para as empresas, o efeito mais imediato é o planejamento: sem a alíquota definida, ficam mais difíceis a formação de preços e a negociação com fornecedores, segundo as entidades. A Veja cita ainda o risco de conflitos judiciais. A carta da Liga Internacional e do Observatório de Direito Administrativo propõe que 2027 seja o ano da preparação responsável, e 2028, o da implementação efetiva, segundo o Jornal de Brasília.

Para as famílias, o efeito mais direto é o cashback. De acordo com o Metrópoles, a Fazenda estima que até 28,8 milhões de famílias do Cadastro Único (CadÚnico) podem ser beneficiadas a partir de janeiro de 2027. Como o cashback incide sobre a CBS paga, um adiamento atrasaria a devolução.

No lado das contas públicas, a Veja informou que o governo estima arrecadar R$ 636 bilhões com a CBS em 2027, sem detalhar a base de cálculo.

Na adaptação dos sistemas, os dados mais recentes são de outubro. Segundo a Veja, a Receita informou que 86% dos documentos fiscais emitidos por empresas sujeitas às novas exigências já traziam a CBS, o equivalente a 3,7 bilhões de notas com o tributo contra 600 milhões sem, em um período de 30 dias. A Veja também informou que, dos 1,27 milhão de estabelecimentos obrigados a informar o tributo, cerca de 855 mil (67%) o incluíam em todas ou parte das notas. A CNI, em carta ao ministro, aponta instabilidade na plataforma de apuração assistida e falta de integração entre os sistemas das empresas e as plataformas públicas, segundo a Revista Oeste.

A Fazenda mantém a posição e a Receita cita a Constituição

O Metrópoles informou que a Fazenda já havia descartado o adiamento em julho e manteve a posição diante do pedido do varejo. Para o ministério, oito anos de transição são suficientes. A Veja, por sua vez, relatou que a Receita Federal afirma que o calendário de implementação está na Constituição e não pode ser alterado por decisão administrativa.

Enquanto o debate segue no Congresso, o Executivo editou a Medida Provisória 1.399, de 4 de novembro de 2026, que instituiu alíquotas e normas complementares do Imposto Seletivo para 2027, com efeitos previstos para 2 de fevereiro, de acordo com o Correio Braziliense. Trata-se de medida provisória editada, não de lei aprovada. No dia seguinte, o Executivo apresentou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 22/2026, que trata da transição entre o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o novo tributo. A PEC tramita no Congresso, segundo o Jornal de Brasília.

Os próximos passos no Senado e no Congresso

  • Até 15 de dezembro de 2026, o Senado deve definir a alíquota de referência da CBS, com votação prevista até essa data
  • O Senado aprovou audiência pública sobre os critérios do TCU, ainda sem data
  • Em 1º de janeiro de 2027, começa a cobrança da CBS, com extinção do PIS e da Cofins, e o cashback para famílias do CadÚnico
  • Em 2 de fevereiro, data prevista para os efeitos da MP 1.399 sobre o Imposto Seletivo, sem ano informado na fonte
  • Em 1º de janeiro de 2028, começaria a cobrança efetiva, na data proposta pelas entidades

Ainda não se sabe se o Congresso ou o Senado vão analisar o pedido de adiamento, nem qual proposta o formalizaria. Até esta quinta-feira (5), o governo não havia detalhado o programa de conformidade que, de acordo com a Revista Oeste, será anunciado, nem a data em que começa. Também não se sabe o conteúdo final da PEC 22/2026, a data da audiência pública nem se o Senado vai confirmar os 11,3%.

A próxima data concreta é 15 de dezembro, quando vence o prazo para o Senado definir a alíquota da CBS. Até lá, o calendário oficial continua apontando 1º de janeiro de 2027 como início da cobrança.

Fontes consultadas (8)
  1. Reforma tributária: entidades pedem adiamento das cobranças para 2028 (correiobraziliense.com.br)
  2. Grupos de advogados pedem que reforma tributária seja adiada (valor.globo.com)
  3. Appy projeta redução da alíquota do IVA para menos de 29% (valor.globo.com)
  4. Adiar a reforma tributária atrasa devolução de imposto aos mais pobres (metropoles.com)
  5. OAB pede adiamento de implementação da Reforma Tributária para 2028 (oglobo.globo.com)
  6. Reforma tributária: entidades pedem adiamento de novo imposto para 2028 (veja.abril.com.br)
  7. Entidades pedem adiamento da reforma tributária para 2028 - Jornal de Brasília (jornaldebrasilia.com.br)
  8. CBS: entidades pedem adiamento da cobrança para 2028 (revistaoeste.com)