A cólica menstrual é uma realidade para muitas mulheres desde a adolescência, mas o cirurgião ginecológico e pesquisador Dr. Igor Chiminacio alerta que a dor intensa e recorrente não deve ser normalizada. Segundo ele, a intensidade do sintoma e o impacto na rotina são fatores que devem ser considerados para investigar a causa da dor.
Dr. Chiminacio destaca que, embora nem toda mulher que sente cólica tenha endometriose, uma dor intensa e persistente não deve ser ignorada. O médico relata que muitas pacientes convivem com dores por anos antes de receber um diagnóstico adequado, e o intervalo entre o surgimento dos sintomas e o diagnóstico pode chegar a oito ou dez anos.
Localização da dor e diagnóstico
A localização da dor pode dificultar o reconhecimento da endometriose, uma vez que os sintomas podem aparecer em regiões como lombar, virilha e pernas, além da região pélvica. Para Dr. Chiminacio, é essencial entender a história da paciente e a descrição dos sintomas antes de realizar exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética.
“Antes de olhar uma imagem, eu quero entender o que a paciente sente, quando sente e onde dói”, afirma o médico, ressaltando que a avaliação clínica é fundamental para direcionar a investigação.
A Teoria do Polvo
Para explicar a relação entre a endometriose e as diferentes regiões de dor, Dr. Chiminacio desenvolveu a Teoria do Polvo. Ele compara a anatomia da pelve feminina a um polvo, onde o útero é a cabeça e os tecidos de sustentação são os tentáculos. Essa analogia ajuda a compreender como a localização da endometriose pode estar ligada aos sintomas apresentados.
O conceito foi apresentado no Congresso Global da AAGL, realizado em 2025, em Vancouver, e publicado no Journal of Minimally Invasive Gynecology.
Quando procurar ajuda médica?
Não existe uma única característica que determine se uma cólica é normal ou se está relacionada à endometriose. A intensidade da dor e seu impacto na rotina são aspectos cruciais. Se a mulher deixa de realizar atividades diárias por causa da dor menstrual, é hora de buscar avaliação médica.
Dr. Chiminacio enfatiza que sentir dor não deve ser considerado parte obrigatória da menstruação. A investigação adequada pode ajudar a diferenciar uma cólica comum de sintomas que exigem um olhar mais atento, incluindo a possibilidade de endometriose.
Recentemente, Dr. Igor Chiminacio lançou o livro A Endometriose, Deus e as Redes Sociais, que reúne experiências sobre diagnóstico e tratamento da endometriose, além de discutir o impacto das redes sociais na disseminação de informações sobre a doença. Toda a renda obtida com a venda do livro será destinada ao WHR – Women’s Health Research, para apoiar pesquisas em saúde feminina.
Opinião
A discussão sobre a dor menstrual e sua relação com a endometriose é fundamental para desmistificar tabus e promover um diagnóstico mais precoce, beneficiando muitas mulheres que sofrem em silêncio.





