Uma união inédita entre a Confederação Única dos Trabalhadores (CUT), a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e federações industriais foi formada para pressionar o governo federal a não prorrogar as cotas com alíquota zero para veículos eletrificados chineses. Apesar da pressão, a Câmara de Comércio Exterior (Gecex) prorrogou por mais seis meses as cotas de importação para veículos eletrificados desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD), totalizando R$ 2,4 bilhões.
A decisão favorece principalmente a montadora chinesa BYD, que iniciou a produção de carros no Brasil em 2025. A Anfavea enviou uma carta ao presidente Lula em 19 de junho de 2026, solicitando a recomposição do imposto de importação para veículos eletrificados, alegando que isso é essencial para a manutenção e criação de empregos qualificados.
Em uma linha semelhante, Sérgio Nobre, presidente da CUT, pediu a suspensão da portaria da Secex que ampliou a cota de importação de veículos elétricos desmontados. A CUT argumenta que as fabricantes já tiveram condições de aumentar sua presença no mercado nacional e devem avançar na produção local.
O Sindipeças, também ligado ao setor automotivo, endossou a reivindicação, afirmando que a medida gerou um aumento nas vendas de veículos eletrificados importados, prejudicando as montadoras locais. A Anfavea destacou que a decisão do Gecex compromete a confiança das empresas que haviam ajustado seus planos de investimento, que podem chegar a R$ 140 bilhões até 2033.
Atualmente, as montadoras chinesas, incluindo a BYD, têm 15% de participação no mercado brasileiro, com a BYD registrando 8,9% nos emplacamentos de 2026. Os investimentos da indústria automobilística chinesa no Brasil foram de US$ 965 milhões em 2025, o que demonstra um crescente interesse por parte dos consumidores, refletido no aumento das pesquisas no Google.
Opinião
A pressão de CUT e Anfavea sobre o governo revela a complexidade do mercado automobilístico brasileiro, onde interesses diversos colidem em um cenário de crescente competição.





