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Faria Lima enfrenta alerta: alta performance pode custar caro à saúde

Faria Lima enfrenta alerta: alta performance pode custar caro à saúde

A Faria Lima se tornou símbolo de crescimento profissional, metas ambiciosas e decisões tomadas sob pressão. No entanto, a rotina associada à alta performance pode gerar um passivo invisível: noites curtas, refeições desorganizadas, longas horas sentado e pouco tempo de recuperação. É crucial discutir o custo biológico de uma cultura que mede resultados financeiros, mas ignora os efeitos do trabalho sobre o corpo.

Como médico especializado em nutrologia e medicina preventiva, observo que muitos profissionais controlam riscos e investimentos, mas buscam atendimento apenas quando os sinais de cansaço, ganho de peso ou pressão alta começam a afetar suas rotinas. O problema não é trabalhar intensamente por períodos, mas sim quando essa intensidade se torna um padrão sem tempo suficiente para recuperação.

Os riscos das longas jornadas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho alertam que jornadas de 55 horas ou mais por semana estão associadas a um risco 35% maior de acidente vascular cerebral (AVC) e 17% maior de morte por doenças cardíacas, em comparação com jornadas de 35 a 40 horas. Em 2016, 745 mil mortes foram atribuídas a longas jornadas. O corpo não reconhece reuniões ou prazos como eventos corporativos; ele responde à pressão com alterações fisiológicas.

A importância do sono e da saúde mental

Os profissionais da Faria Lima frequentemente confundem a falta de sono com produtividade. Contudo, adultos precisam de pelo menos 7 horas de sono por noite para evitar riscos de hipertensão, doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2. A American Heart Association destaca que a saúde do sono não depende apenas da duração, mas também da regularidade e qualidade do sono.

Além disso, a OMS estima que a depressão e a ansiedade causam a perda de 12 bilhões de dias de trabalho por ano, resultando em uma perda global de cerca de US$ 1 trilhão em produtividade. No Brasil, os afastamentos por transtornos mentais ultrapassaram 400 mil em 2024, evidenciando a relação entre trabalho, saúde e capacidade produtiva.

Avaliação integral da saúde

Para profissionais sob constante pressão, a prevenção deve ir além de exames anuais. A saúde deve ser avaliada de forma integral, considerando histórico familiar, pressão arterial, glicemia e qualidade do sono. Wearables e sensores podem fornecer dados, mas não substituem uma avaliação clínica adequada.

A lógica de gestão de riscos aplicada à saúde é essencial. Pressão arterial elevada e deterioração do sono são riscos que podem se acumular ao longo dos anos. Uma avaliação deve considerar alimentação, atividade física e saúde mental, sempre respeitando o histórico de cada paciente.

Opinião

O tempo perdido com a saúde é difícil de recuperar, e a alta performance sustentável exige equilíbrio entre trabalho e autocuidado.