O complexo petroquímico de Jubail, na Arábia Saudita, foi severamente atingido por mísseis iranianos nos dias 6 e 7 de abril, resultando em uma paralisação que retirou do mercado global cerca de 70% da oferta mundial de resina PPE, um componente crucial na fabricação de placas de circuito impresso, utilizadas em todos os dispositivos eletrônicos modernos.
A resina PPE (Polifenileno Éter) é um polímero sintético de alta performance, essencial para garantir isolamento elétrico, resistência ao calor e estabilidade dimensional em aplicações eletrônicas de alta exigência. Com a produção em Jubail parada, a escassez de resina PPE deve impactar os consumidores no segundo semestre de 2026.
Impacto imediato nos preços
Os efeitos da paralisação já estão sendo sentidos, com os preços das placas de circuito impresso (PCB) subindo até 40% entre março e abril de 2026, segundo uma análise do Goldman Sachs. A TTM Technologies, uma das maiores fabricantes de placas de circuito impresso dos EUA, informou que está repassando aumentos de preços entre 5% e 25% para seus clientes.
Desafios na substituição da resina PPE
A resina PPE não possui substituto direto para aplicações críticas. Alternativas como PTFE ou laminados à base de epóxi podem ser utilizadas em eletrônicos de baixo custo, mas em dispositivos premium, como smartphones e servidores de inteligência artificial, qualquer mudança exige requalificação e testes extensivos. O CEO da SmartTech Research, Mark Vena, destacou a gravidade da situação, afirmando que não existem fornecedores alternativos para suprir a demanda.
Projeções para o consumidor
Especialistas indicam que o segundo semestre de 2026 será o período em que os consumidores sentirão os efeitos diretos da escassez. Embora marcas como Apple possam absorver melhor o impacto devido ao seu poder de compra e contratos de longo prazo, a pressão sobre os preços e a disponibilidade de produtos aumentará. Produtos de menor margem, como PCs e acessórios, devem ser os mais afetados.
Reabertura do complexo de Jubail
O complexo de Jubail, que já havia sido fechado no final de março devido a dificuldades no trânsito pelo Estreito de Ormuz, pode levar 275 dias ou mais para reabrir, segundo Jim Fittering, CEO da Dow. A empresa, que opera uma joint venture com a Saudi Aramco, estima que a normalização das cadeias de suprimento será um processo demorado e complicado.
Produção de placas de circuito impresso nos EUA
Atualmente, apenas 4% das placas de circuito impresso são fabricadas nos Estados Unidos, uma queda significativa em relação a 30% em 2000. O país não possui a capacidade instalada para substituir o volume de resina perdido com a paralisação de Jubail, conforme apontado pelo professor Sridhar Tayur da Universidade Carnegie Mellon.
Opinião
A situação em Jubail ressalta a vulnerabilidade das cadeias de suprimento globais e a necessidade urgente de diversificação na produção de insumos essenciais para a indústria eletrônica.





