Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central de 1999 a 2003, acredita que o Brasil está à beira de uma recessão econômica. Em declarações recentes, ele atribui essa situação ao terceiro governo Lula, que, segundo ele, “chutou o pau da barraca logo de cara”. As observações de Fraga foram publicadas na seção Páginas Amarelas da revista Veja.
Entre os sinais que indicam essa crise iminente, Fraga destaca o aumento da inadimplência das famílias e as dificuldades enfrentadas por empresas e pelo governo para esticar dívidas. Ele menciona que o governo está emitindo títulos de dívida com prazo mais curto, o que é um sinal claro de que a situação econômica é complicada.
Dificuldades financeiras e comparações com Dilma Rousseff
Fraga observa que muitas empresas que se endividaram estão tendo dificuldades para rolar suas dívidas. Ele critica a estratégia do governo em encurtar o perfil de sua dívida, afirmando que isso aumenta os riscos para a própria rolagem da dívida. “Eu entendo que o governo não queira emitir papel de trinta anos pagando inflação mais 8% ao ano, mas, por outro lado, assim ele aumenta o risco de sua própria rolagem”, disse.
O economista também considera Lula como favorito nas eleições de outubro de 2026, mas questiona o preço que poderá ser pago pela reeleição. Ele compara os gastos em “pacotes de bondades” do governo atual com as práticas do governo de Dilma Rousseff, quando a crise fiscal foi ocultada por meio de altos gastos públicos no último ano de governo para garantir a reeleição.
Críticas à política fiscal
Fraga, que se considera um “órfão” da escola do PSDB clássico, critica a insistência do governo em afirmar que aplica uma política econômica austera, enquanto desrespeita as regras do arcabouço fiscal. Ele questiona: “Há quem diga que o Brasil já tem austeridade fiscal demais, mas que austeridade é essa que fez o gasto público sair de um quarto do PIB para um terço nos últimos quarenta anos? Não houve austeridade nenhuma”.
Opinião
A análise de Armínio Fraga traz à tona questões cruciais sobre a política econômica atual e suas consequências, refletindo preocupações que muitos brasileiros compartilham diante de um cenário econômico incerto.





