Adriano Ponte, especialista em tecnologia, trouxe à tona um problema que afeta muitos brasileiros durante sua participação no CNN Tech em 6 de outubro. Ele explicou que a lentidão da internet pode estar diretamente relacionada aos roteadores padrão fornecidos pelas operadoras.
Segundo Ponte, esses equipamentos acumulam funções excessivas e falham na distribuição do sinal Wi-Fi. O problema é que o roteador, que deve receber o sinal da operadora, também atua como modem e distribuidor de internet para todos os dispositivos da casa. Isso resulta em um equipamento sobrecarregado, incapaz de atender à demanda de múltiplos aparelhos.
O gargalo da conexão Wi-Fi
O especialista destacou que a lentidão não é apenas uma questão de potência, mas também de limitações físicas. O Wi-Fi opera por ondas de rádio, que perdem força com a distância e são afetadas por paredes e interferências. No padrão Wi-Fi 5, apenas um aparelho pode transmitir dados por vez, criando uma “fila invisível” que prejudica a conexão quando vários dispositivos estão online.
Com o Wi-Fi 6, a situação melhora consideravelmente. Esse novo padrão permite que o roteador divida o sinal e atenda a múltiplos dispositivos simultaneamente, organizando melhor o tráfego entre celulares, TVs e notebooks.
Posicionamento e soluções
Ponte também apontou o posicionamento do roteador como um fator crucial para a qualidade do sinal. Muitas vezes, o equipamento fica escondido atrás de móveis ou em locais distantes, o que dificulta a distribuição do sinal. Ele sugere que o ideal é utilizar o equipamento da operadora apenas como modem e investir em um roteador dedicado para a distribuição do Wi-Fi.
Para residências maiores, a recomendação é considerar uma rede mesh, que utiliza múltiplos pontos de acesso para criar uma rede mais estável. Diferente de repetidores simples, esses sistemas funcionam de forma coordenada, garantindo uma cobertura mais eficiente.
A tecnologia mais recente
Embora o Wi-Fi 7 seja uma tecnologia avançada, Adriano Ponte alerta que nem todos precisam dela. O desempenho máximo depende dos dispositivos conectados; se um celular ou notebook não suporta o padrão mais recente, os ganhos serão limitados.
Portanto, as recomendações práticas incluem priorizar roteadores Wi-Fi 6, considerar uma rede mesh para casas grandes, evitar equipamentos muito baratos e não se deixar levar apenas pelo design ou tamanho das antenas. A troca do roteador pode ser mais eficaz do que simplesmente aumentar o plano de internet.
Opinião
A discussão sobre a qualidade da internet no Brasil é vital, e entender os problemas estruturais é o primeiro passo para soluções mais eficazes.





