O roubo de dinheiro por Pix, a captura de senhas e a invasão de contas bancárias têm se tornado cada vez mais comuns devido a apps maliciosos que circulam na Internet. Apesar da crescente incidência, muitos usuários ainda têm dificuldade em entender a diferença entre malware, spyware e trojan, termos frequentemente utilizados em notícias sobre golpes digitais.
Para esclarecer como esses ataques funcionam e quais medidas podem reduzir as chances de infecção, o TechTudo consultou Santiago Pontiroli, pesquisador-chefe da Unidade de Pesquisa de Ameaças (TRU) da Acronis, e Fernando Serto, Field CTO da Akamai Technologies para a América Latina.
Diferenças entre malware, spyware e trojan
Embora frequentemente mencionados em notícias sobre golpes digitais, os termos malware, spyware e trojan não são sinônimos. Cada um descreve uma característica diferente da ameaça. Malware é o termo genérico para qualquer software malicioso. Spyware é um tipo de malware projetado para monitorar secretamente os usuários e roubar informações sensíveis. Já um trojan se disfarça de aplicativo legítimo para enganar as pessoas e fazê-las instalá-lo.
Santiago Pontiroli explica que um trojan pode também instalar outros malwares ou abrir uma porta de acesso remoto ao aparelho da vítima. Para muitos usuários, memorizar essas definições não é o mais importante; reconhecer comportamentos suspeitos é fundamental.
Tipos de malware que roubam Pix e dados bancários
Nem todo malware tem como objetivo roubar dinheiro ou credenciais bancárias. Entre as ameaças direcionadas a esse tipo de golpe, os trojans bancários são os mais perigosos, pois conseguem interagir diretamente com aplicativos financeiros. Fernando Serto afirma que trojans bancários e spywares são as ameaças mais relevantes para usuários de aplicativos bancários no Brasil.
Famílias de malware como PixPirate, GoatRAT e BrasDex exploram os recursos de acessibilidade do Android para automatizar transações e capturar códigos de autenticação. Isso é especialmente preocupante, já que o Pix liquida pagamentos em poucos segundos, permitindo que o dinheiro seja transferido antes que a vítima perceba a fraude.
Como aplicativos maliciosos chegam ao celular
A porta de entrada para esses golpes muitas vezes é o próprio usuário. Criminosos utilizam engenharia social para convencer a vítima a instalar um aplicativo aparentemente legítimo. Mensagens de phishing, anúncios falsos e links enviados por serviços de mensagens são algumas das estratégias mais comuns.
Baixar aplicativos de fontes desconhecidas e conceder permissões sem entender é um erro comum que facilita a infecção. Embora a instalação de apps pela Google Play Store reduza os riscos, isso não elimina a possibilidade de infecção, pois malwares como Anubis e SharkBot já conseguiram passar pelos mecanismos de verificação da loja oficial.
Como se proteger contra malwares
A proteção contra golpes bancários não depende de uma única ferramenta. A melhor estratégia é combinar várias camadas de segurança. Manter o Google Play Protect ativado, utilizar um software de segurança para dispositivos móveis e desconfiar de links recebidos são medidas essenciais. Além disso, é fundamental revisar cuidadosamente as permissões concedidas aos aplicativos, especialmente quando solicitam acesso aos Serviços de Acessibilidade.
Se o usuário suspeitar que instalou um aplicativo malicioso ou identificar movimentações bancárias desconhecidas, é crucial agir rapidamente. Contatar o banco para bloquear possíveis fraudes e alterar credenciais bancárias são passos essenciais. Santiago Pontiroli recomenda também remover aplicativos suspeitos e, se necessário, restaurar o celular para as configurações de fábrica.
Opinião
Ficar atento às permissões e às fontes de aplicativos é vital para a segurança digital. A prevenção é sempre a melhor abordagem contra esses golpes.





