Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está no centro de uma investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência. A investigação ganhou novos contornos após a recuperação de uma mensagem no WhatsApp onde Lulinha afirma que a lobista Roberta Luchsinger era responsável por cuidar de suas finanças.
A conversa, revelada pela revista Veja, faz parte do material que embasou o pedido da PF para investigar Lulinha. Na mensagem, ele questiona Roberta sobre a possibilidade de bancar uma viagem à África, afirmando: “A gente tem grana pra bancar essas coisas?” e logo em seguida, diz: “Vc que cuida das minhas finanças”.
Grupo de WhatsApp e Suspeitas de Contrato
O conjunto de mensagens foi encontrado no celular de Luchsinger, que já havia sido alvo de buscas da PF na Operação Sem Desconto, focada em fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A PF identificou que Roberta atuava como uma porta-voz de Lulinha, tentando abrir portas em diferentes áreas do governo federal.
Além disso, foi revelado que Lulinha e seus associados mantinham um grupo de WhatsApp chamado “Musaranhos”. A investigação aponta que Lulinha seria um beneficiário indireto das articulações feitas por Roberta, que, em uma de suas mensagens, afirmou: “Fábio não faz nada, ele só entra em campo qdo precisa”.
Relação Financeira e Contrato Suspeito
O relatório da PF também menciona que o então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, recebeu R$ 217 mil de Roberta entre fevereiro e novembro de 2024, para cobrir despesas pessoais. Marcola, ao ser questionado, alegou que o valor era um empréstimo que foi quitado com correção monetária, totalizando R$ 249 mil.
A PF investiga ainda a atuação do grupo para tentar obter um contrato de venda de medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS), que não foi concretizado. A corporação busca avançar nas investigações relacionadas à Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev) e outras áreas do governo.
Defesa de Lulinha
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio Carvalho, criticou as alegações da PF e afirmou que a defesa não pode atestar a autenticidade das mensagens divulgadas, chamando a atenção para a falta de certeza nas informações apresentadas. Ele argumentou que o relatório da PF parece ter como objetivo desgastar a imagem do filho do presidente em um momento delicado, durante a campanha eleitoral.
Opinião
A situação envolvendo Lulinha e a investigação da PF levanta questões importantes sobre a relação entre política e negócios, além de gerar um clima de incerteza em torno da imagem da família presidencial.





