Política

Universidade Federal do Rio de Janeiro revela 860 anúncios fraudulentos em redes sociais

Universidade Federal do Rio de Janeiro revela 860 anúncios fraudulentos em redes sociais

Golpistas têm utilizado programas sociais do governo federal como isca em anúncios falsos nas plataformas da Meta. Um levantamento do Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NetLab/UFRJ), obtido com exclusividade pelo g1, identificou 860 anúncios fraudulentos publicados por 152 páginas entre janeiro e março de 2026.

O programa mais explorado foi o Valores a Receber, do Banco Central, citado em 345 peças. O Brasil Sorridente apareceu em 230 anúncios, seguido pelo Minha Casa Minha Vida, com 67, e pelo Auxílio Gás, com 62. O Bolsa Família somou 31 ocorrências, e o Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas, teve 19 anúncios enganosos associados a seu nome. Em 26,3% dos casos, o mesmo anunciante explorava mais de uma política pública na mesma campanha.

Como o golpe funciona

As peças analisadas prometiam valores, benefícios ou serviços inexistentes para atrair as vítimas. Em 185 anúncios, 21,5% do total, os golpistas simulavam canais oficiais do governo, usando nomes, símbolos e domínios com termos como “oficial” e “org” para transmitir legitimidade. Parte dessas páginas direcionava o usuário a sites que cobravam taxas para uma suposta consulta de benefício.

Os criminosos também recorreram à identidade visual de veículos de imprensa, incluindo o g1, para dar credibilidade às publicações. Segundo o estudo, 45,8% dos anúncios traziam vídeos gerados ou manipulados por inteligência artificial, muitos com deepfakes de políticos e jornalistas. Uma deepfake do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) apareceu em ao menos 16 anúncios e já era usada desde 2025 em golpes ligados ao Pix.

Alcance e tempo no ar

Os anúncios fraudulentos ficaram ativos, em média, por 4,4 dias, o que indica uma estratégia de renovação constante das campanhas para reduzir as chances de detecção. Ainda assim, 14 peças permaneceram no ar por mais de um mês, e uma delas ficou disponível por 73 dias. O NetLab também mapeou uma rede de 18 páginas administradas na China, responsável por 67 anúncios enganosos sobre Brasil Sorridente, Bolsa Família e Valores a Receber, alguns publicados também em inglês e espanhol.

Em nota enviada ao Canaltech, a Meta afirmou que não permite atividades fraudulentas e remove anúncios enganosos assim que identificados, medida que diz ter adotado em relação ao Desenrola Brasil. A empresa recomenda que os usuários nunca compartilhem dados de login e denunciem atividades suspeitas pelas próprias plataformas.

Opinião

É essencial que os usuários fiquem atentos e sempre verifiquem a autenticidade de anúncios relacionados a benefícios sociais para evitar cair em fraudes.