Política

Poder Judiciário gasta R$ 9,8 bilhões com penduricalhos e gera crise de confiança

Poder Judiciário gasta R$ 9,8 bilhões com penduricalhos e gera crise de confiança

O Poder Judiciário brasileiro enfrentou um cenário alarmante em 2025, com gastos de R$ 9,8 bilhões em verbas indenizatórias, popularmente conhecidas como “penduricalhos”. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), esse montante representa 6,6% dos R$ 148,5 bilhões gastos com pessoal, superando em mais de duas vezes os R$ 4,4 bilhões investidos em tecnologia no mesmo ano.

Gastos e arrecadação do Judiciário

Os chamados “penduricalhos” incluem pagamentos como diárias, passagens e auxílio-moradia, que podem elevar a remuneração de magistrados acima do teto constitucional de R$ 46 mil. O gasto total do Judiciário em 2025 atingiu R$ 164,6 bilhões, o maior registrado desde o início da série histórica pelo CNJ em 2009. Desse total, R$ 148,5 bilhões, ou 90,2%, foram destinados a despesas com pessoal, enquanto o restante foi alocado para outras áreas, como tecnologia e custos operacionais.

Desconfiança e críticas

A arrecadação do Judiciário em 2025 foi de R$ 68,2 bilhões, o que corresponde a 41% de suas despesas e representa uma queda de 8,9% em relação ao ano anterior. A maior parte dessa arrecadação veio de custas, taxas e emolumentos, totalizando R$ 30 bilhões. A Justiça do Trabalho se destacou com 95,8% de seus gastos voltados para pessoal, enquanto os Tribunais Superiores apresentaram a menor proporção, com 90%.

Esse cenário de altos gastos e baixa arrecadação ocorre em meio a crescentes críticas sobre os supersalários e a confiança da população no Judiciário. Uma pesquisa recente do Datafolha revelou que 38% dos entrevistados não confiam na Justiça, enquanto 43% afirmaram confiar pouco.

Implicações e escândalos

A situação se agrava com a revelação de um relatório da Polícia Federal que expôs uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, além de um contrato milionário da esposa de Moraes com o Banco Master, que levantou questões sobre a ética no exercício da função pública.

Opinião

O elevado gasto com penduricalhos e os escândalos recentes refletem uma crise de confiança que precisa ser urgentemente abordada para restaurar a credibilidade do Judiciário brasileiro.