Economia

Confederação Nacional da Indústria revela aumento do endividamento no Brasil

Confederação Nacional da Indústria revela aumento do endividamento no Brasil

Quatro em cada 10 indústrias brasileiras projetam aumento do endividamento bancário nos próximos três meses, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento, realizado entre 13 e 24 de julho de 2026 com 191 empresas, revela que o cenário de juros ainda elevados deve levar mais empresas a recorrer ao crédito para manter as operações e cumprir compromissos financeiros.

De acordo com a pesquisa, 39% das empresas esperam ampliar suas dívidas com bancos no curto prazo. Além disso, 53% dos empresários acreditam que precisarão contratar mais crédito para financiar despesas do dia a dia, como pagamento de fornecedores, salários e impostos. A analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virginia Colusso, destaca que, mesmo após três cortes de juros em 2026, a taxa Selic permanece alta, atualmente em 14,25%, o que impacta negativamente a atividade industrial.

Expectativas de Juros e Margens de Lucro

A pesquisa também aponta que 38% dos industriais acreditam que os juros dos empréstimos aumentarão nos próximos meses. Com a expectativa de uma nova reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em breve, a pressão financeira nas empresas deve aumentar.

Além disso, 58% dos industriais esperam uma redução na margem líquida de lucro, refletindo um ambiente de custos elevados e maior pressão financeira. Como consequência, 37% dos empresários planejam aumentar os preços de venda nos próximos três meses.

Necessidade de Crédito e Estoques

A pesquisa também revelou que 47% das empresas devem ampliar a contratação de crédito para cobrir necessidades de caixa, enquanto 42% esperam pagar juros mais altos nessas operações. No que diz respeito ao financiamento de estoques, 42% das empresas projetam aumentar a tomada de crédito para comprar matérias-primas e manter mercadorias armazenadas.

Opinião

A crescente necessidade de crédito e as expectativas de aumento de juros revelam um cenário desafiador para as indústrias brasileiras, que buscam se adaptar a um ambiente econômico instável.