O petróleo recuou nesta terça-feira (21) após acumular alta de quase 6% nas duas sessões anteriores, com investidores avaliando a continuidade dos confrontos entre Estados Unidos e Irã e as tentativas diplomáticas para um novo cessar-fogo. O Brent, referência global, recuava em direção a US$ 88 por barril, enquanto o WTI, dos Estados Unidos, era negociado perto de US$ 83.
Na sessão anterior, o Brent havia atingido US$ 91,42 por barril, maior nível desde meados de junho. O movimento de queda ocorre após uma forte valorização recente, impulsionada pelo temor de interrupções no fornecimento de energia no Oriente Médio. Os EUA realizaram o 10º dia consecutivo de ataques contra o Irã após o presidente Donald Trump afirmar que Teerã “pagaria” pela morte de soldados americanos.
O Irã respondeu com ataques de mísseis e drones contra o Kuwait. Apesar da escalada militar, esforços diplomáticos continuam. Teerã informou que mediadores apresentaram propostas para reduzir as hostilidades, enquanto uma fonte citada pela Reuters indicou uma sugestão de trégua de 10 dias.
O mercado também monitora a ameaça dos houtis do Iémen, aliados do Irã, de bloquear o tráfego marítimo da Arábia Saudita no Mar Vermelho. A região é estratégica para as exportações sauditas, que utilizam um oleoduto para contornar o Estreito de Ormuz. Segundo a consultoria Rystad Energy, cerca de 2,5 milhões de barris por dia de exportações sauditas estão sob risco caso ocorram ataques houtis.
A Arábia Saudita afirmou que tomará medidas para proteger seus navios. A preocupação aumentou após ataques recentes contra embarcações no Estreito de Ormuz, por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo. Um superpetroleiro e um navio-tanque menor foram atingidos no fim de semana, segundo a empresa responsável pelos navios.
O aumento das tensões já levou algumas companhias marítimas a oferecer bônus elevados para incentivar tripulações a navegar pela região. O Sinokor Group, maior proprietário mundial de superpetroleiros, ofereceu seis meses extras de salário para trabalhadores que aceitarem realizar viagens pelo Estreito de Ormuz.
Opinião
A escalada de tensões entre os EUA e o Irã, somada à instabilidade no mercado de petróleo, coloca o mundo em um cenário de incertezas que exige atenção redobrada dos investidores.





