Internacional

Comissão de Saúde do Reino Unido propõe vetar fast food perto de escolas

Comissão de Saúde do Reino Unido propõe vetar fast food perto de escolas

O Reino Unido pode adotar novas restrições para impedir a abertura de estabelecimentos de fast food próximos a escolas. A proposta é defendida pela Comissão de Saúde da Câmara dos Comuns como uma medida para combater o avanço da obesidade infantil e limitar o contato de crianças com alimentos considerados pouco saudáveis.

Medidas propostas pela Comissão

Os parlamentares desejam ampliar os poderes das autoridades locais para barrar novos estabelecimentos de comida rápida em áreas próximas às escolas ou regiões com altos índices de obesidade infantil. Além disso, a comissão propõe o fim de anúncios de alimentos com alto teor de gordura, açúcar e sal em espaços públicos, como outdoors, ônibus e trens.

Contexto da obesidade no Reino Unido

A recomendação ocorre em meio ao aumento dos índices de sobrepeso no país. Atualmente, cerca de 66% dos adultos na Inglaterra estão acima do peso ou têm obesidade. Entre os mais jovens, o cenário é igualmente preocupante, com 28% dos adolescentes de 13 a 15 anos também acima do peso.

Histórico de iniciativas e desafios legais

De acordo com o relatório da comissão, centenas de iniciativas adotadas desde 1992 não conseguiram reduzir o avanço da obesidade. A presidente da comissão, Layla Moran, deputada do Partido Liberal Democrata, afirma que crianças convivem diariamente com uma grande quantidade de anúncios e ofertas de produtos pouco saudáveis.

O relatório também destaca as dificuldades enfrentadas por municípios que tentam restringir a abertura de redes de fast food perto de escolas. Brechas na legislação de planejamento urbano permitem que empresas contestem essas decisões, classificando alguns locais como restaurantes, e não como estabelecimentos de comida rápida.

Publicidade de alimentos em debate

Além das regras para novos estabelecimentos, a comissão defende restrições à publicidade de alimentos com altos níveis de gordura, açúcar e sal. O relatório afirma que cerca de 680 milhões de libras são gastos por ano em anúncios de alimentos e bebidas não alcoólicas no Reino Unido. A Associação de Publicidade do Reino Unido contestou a proposta, afirmando que limitações aos anúncios não teriam impacto significativo na redução da obesidade infantil.

Resultados positivos em Gateshead

A comissão menciona a experiência de Gateshead, que em 2015 restringiu a abertura de estabelecimentos de fast food próximos a escolas. Essa medida ajudou a reduzir a obesidade infantil na região, segundo o relatório. Entretanto, a rede KFC processou municípios que implementaram regras semelhantes e venceu parte das ações.

Opinião

A proposta da Comissão de Saúde do Reino Unido é um passo importante para enfrentar a crescente epidemia de obesidade infantil e deve ser considerada com seriedade pelo governo.