A Toshiba planejava ser líder global em chips de memória e energia nuclear, mas renunciou a ambos os negócios em 2016 devido a uma crise de gestão. Ironicamente, uma década depois, esses setores estão em plena expansão com o advento da inteligência artificial.
Recentemente, na assembleia geral de acionistas da Kioxia Holdings — antiga divisão de memória da Toshiba — 900 investidores lotaram um salão com capacidade para 500 pessoas. Eles parabenizaram a administração da Kioxia por se tornar a empresa mais valiosa do Japão. Suas ações dispararam 71 vezes desde o IPO em dezembro de 2024, alcançando um valor de 56 trilhões de ienes (US$ 346 bilhões) no fechamento do pregão.
A participação da Toshiba e o impacto da falência da Westinghouse
A participação da Toshiba na Kioxia caiu para 16%, e a empresa planeja continuar reduzindo gradual e estrategicamente essa participação. A Toshiba, que já foi um gigante da tecnologia, teve que se desfez de diversos negócios, incluindo dispositivos médicos e eletrodomésticos, para se manter à tona. A unidade nuclear americana Westinghouse Electric entrou com pedido de falência em 2017, resultando em enormes prejuízos para a Toshiba e ameaçando sua listagem na Bolsa de Valores de Tóquio.
O que poderia ter sido e a nova direção da Toshiba
No ano fiscal de 2017, o negócio de memória registrou um lucro operacional de 500 bilhões de ienes, que poderia ter sido suficiente para manter a Toshiba na bolsa de valores. No entanto, a companhia decidiu pela emissão privada de ações no valor de 600 bilhões de ienes para fundos estrangeiros, o que acabou por abrir caminho para seu fechamento de capital em 2023, após ser adquirida por um consórcio liderado pela Japan Industrial Partners (JIP).
Com a atenção voltada para semicondutores e energia nuclear, a Toshiba agora busca se reerguer sob a gestão da JIP. O plano da empresa é lucrar com equipamentos de geração, transmissão e distribuição de energia, além de elevadores e discos rígidos, enquanto se adapta às novas demandas do mercado, incluindo computação quântica e inteligência artificial física.
Resultados e futuro
A Toshiba registrou uma margem de lucro operacional de 8% no último ano fiscal, mas o impacto da reforma nos lucros foi obscurecido pelos 2,27 trilhões de ienes que a empresa ganhou com sua participação na Kioxia, representando cerca de 60% das vendas. O futuro da Toshiba dependerá de sua capacidade de se reinventar e se adaptar a um mercado em constante evolução.
Opinião
A trajetória da Toshiba é um exemplo claro de como decisões estratégicas podem moldar o futuro de uma empresa, especialmente em setores tão dinâmicos como tecnologia e energia.





