O governo iraniano e o grupo político-militar Hezbollah atribuíram o cessar-fogo no Líbano à união e capacidade de combate do Eixo da Resistência, que se opõe à política de Israel e dos Estados Unidos (EUA) no Oriente Médio. O cessar-fogo foi anunciado em outubro de 2023 e era uma exigência do Irã para as negociações com Washington.
Após o fim das batalhas, o Irã anunciou a abertura do Estreito de Ormuz para barcos comerciais. O presidente dos EUA, Donald Trump, tentou capitalizar o cessar-fogo como uma ação da Casa Branca. Em comunicado, o Hezbollah afirmou que realizou 2.184 operações militares em 45 dias de batalhas contra o exército israelense, o que representa uma média de 49 operações por dia.
Conflito e Cessar-Fogo
Os ataques do Hezbollah visaram as forças de ocupação de Israel dentro do território libanês, além de locais, quartéis e bases militares em até 160 quilômetros após a fronteira. A declaração do grupo enfatiza que sua mão permanecerá no gatilho em antecipação a qualquer violação ou traição pelo inimigo.
O chefe do Parlamento iraniano, Mohammed B. Ghalibaf, responsável pela delegação do Irã nas negociações com os EUA, declarou que o cessar-fogo é resultado da resistência do Hezbollah e da união do Eixo da Resistência. Ele afirmou que a resistência e o Irã são uma só entidade, tanto na guerra quanto no cessar-fogo.
Reações em Israel
O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu vinha anunciando que ocuparia o Sul do Líbano até o Rio Litani, a 30 quilômetros da fronteira entre os dois países. No dia anterior ao anúncio do cessar-fogo, Netanyahu informou que continuaria com a guerra para tomar a cidade de Bent Jbel. A notícia do cessar-fogo pegou os ministros do gabinete israelense de surpresa, e Netanyahu concordou com o cessar-fogo a pedido de Trump.
A oposição a Netanyahu criticou o cessar-fogo “imposto” a Israel, enquanto um oficial militar do país afirmou que as tropas continuariam no território libanês, apesar do cessar-fogo.
Histórico do Conflito
O conflito entre Israel e o Hezbollah remonta à década de 1980, quando a milícia xiita foi criada em resposta à invasão e ocupação de Israel no Líbano. O Hezbollah conseguiu expulsar os israelenses do país em 2000 e, ao longo dos anos, se tornou um partido político com assentos no Parlamento.
Opinião
O cessar-fogo no Líbano representa uma nova fase nas tensões do Oriente Médio, com implicações significativas para a política regional e as relações internacionais.





