O ministro Guilherme Boulos está no centro de uma polêmica ao defender a implementação de uma taxa mínima de R$ 10 para entregas realizadas por aplicativos, conforme estipulado no Projeto de Lei Complementar 152/2025. Essa proposta gerou um conflito significativo dentro do Palácio do Planalto, onde o governo Lula expressa preocupações sobre o impacto que essa medida pode ter sobre os consumidores e a sua imagem eleitoral.
Atualmente, o valor pago pelos aplicativos gira em torno de R$ 7,50 para entregas de até 4 km. Boulos sugere que, além da taxa mínima, haja um adicional de R$ 2,50 por quilômetro extra. No entanto, essa proposta não é unânime; setores do governo preferem uma taxa intermediária de R$ 8,50.
Impactos e Reações
Os temores do governo e das empresas de entrega são claros. O receio é que a fixação de uma taxa mínima possa resultar em um aumento de até 30% nos preços dos serviços, o que, segundo aliados de Lula, seria repassado diretamente ao consumidor final. Isso poderia desviar a classe média e a população de baixa renda de um serviço que, em tese, deveria ser acessível.
Pesquisas revelam que 71% dos brasileiros se opõem à criação de uma taxa mínima. Além disso, 78% dos entrevistados acreditam que essa medida resultará em aumento de preços, e 86% avaliam que os mais pobres serão os mais afetados. Entre os eleitores independentes, a rejeição chega a 83%, um sinal de alerta para a estratégia eleitoral do governo.
Conflito com a Uber
A relação entre Guilherme Boulos e a Uber também se deteriorou. A empresa notificou Boulos judicialmente após ele insinuar que alguns agentes públicos estariam defendendo a plataforma por interesses indevidos. A Uber exigiu que o ministro apresentasse provas ou cessasse suas insinuações de corrupção. Boulos, por sua vez, reafirmou que não se deixará intimidar e que as empresas têm lucros suficientes para suportar os novos custos operacionais.
Medidas de Apoio aos Entregadores
Para mitigar os conflitos, o governo anunciou a criação de 100 pontos de apoio para entregadores, em parceria com o Banco do Brasil, com um investimento de R$ 24 milhões. Esses locais oferecerão banheiros, água, vestiários e internet. Além disso, novas portarias visam aumentar a transparência sobre como as empresas calculam o preço final das corridas, buscando esclarecer a distribuição de lucros entre as plataformas e os trabalhadores.
Opinião
A proposta de Boulos, embora tenha como objetivo melhorar as condições dos entregadores, enfrenta forte resistência e pode gerar consequências indesejadas para o governo, evidenciando a complexidade do equilíbrio entre interesses trabalhistas e econômicos.





