O uso de inteligência artificial no ambiente de trabalho tem gerado discussões sobre sua real eficácia. Um fenômeno chamado workslop, que se refere a conteúdos produzidos com auxílio de IA que aparentam ser profissionais, mas carecem de profundidade e valor real, tem chamado a atenção de pesquisadores e gestores.
Uma pesquisa realizada pelo Stanford Social Media Lab em parceria com a BetterUp revelou que entre 40% e 41% dos profissionais relataram ter recebido algum tipo de workslop em um único mês. Cada ocorrência desse fenômeno gera, em média, quase duas horas de trabalho extra para os funcionários, resultando em uma perda financeira estimada de cerca de US$ 186 (aproximadamente R$ 983) por mês por trabalhador.
Origem do termo workslop
O termo workslop foi popularizado em setembro de 2025 por um artigo da Harvard Business Review, escrito por pesquisadores da BetterUp e da Universidade de Stanford. O texto, intitulado “AI-Generated Workslop Is Destroying Productivity”, combina as palavras “work” (trabalho) e “slop” (lixo, borra) para definir esse tipo de entrega que, embora visualmente aceitável, não oferece profundidade.
O artigo também destaca que o número de empresas com processos totalmente conduzidos por IA praticamente dobrou no último ano, mas, conforme um relatório do MIT Media Lab, 95% das organizações ainda não veem retorno mensurável sobre o investimento feito nessas ferramentas.
Por que o workslop acontece?
Uma das principais causas do workslop é a adoção indiscriminada da IA. Lideranças em empresas têm exigido o uso de IA para todas as tarefas, sem distinguir entre atividades estratégicas e demandas operacionais simples. O resultado é um incentivo ao “copiar e colar” automático, sem adaptação ao contexto.
O diretor de Artificial Intelligence Solutions & Strategy da Quality Digital, Cassio Pantaleoni, explica que a IA fornece uma resposta adequada ao solicitado, mas não necessariamente a resposta correta. Sem curadoria, isso resulta em um aumento de produtividade individual, mas em uma perda de produtividade organizacional.
O especialista da TGT ISG, Marcio Tabach, complementa que frequentemente, chats baseados em LLMs (Modelos de Linguagem de Grande Escala) extraem informações corretas, mas que nem sempre estão bem encadeadas logicamente.
Tempo economizado é gasto em checagem
Uma pesquisa da empresa Foxit revelou que os trabalhadores ganham, em média, 14 minutos por semana com o uso de IA, enquanto executivos ganham 16 minutos. O tempo economizado na geração de conteúdo é, na verdade, absorvido pela necessidade de validar as saídas, levando executivos a gastarem em média 4 horas e 20 minutos por semana verificando resultados gerados por IA, enquanto trabalhadores gastam 3 horas e 50 minutos.
Opinião
A crescente adoção da inteligência artificial nas empresas deve ser acompanhada de uma reflexão crítica sobre sua aplicação, para que não se torne um fator de perda de produtividade e eficiência.






