Economia

Banco Central liquida Unilance e 37 mil consorciados ainda aguardam ressarcimento

Banco Central liquida Unilance e 37 mil consorciados ainda aguardam ressarcimento

Mais de 37,7 mil consorciados aguardam há mais de sete anos o ressarcimento de valores pagos à Unilance, um consórcio liquidado pelo Banco Central (BC) em outubro de 2018. A empresa deixou uma dívida que varia entre R$ 83,7 milhões e R$ 187,7 milhões, e a correção desse montante pode ultrapassar os R$ 305 milhões.

Processo de falência e bloqueio de bens

A falência da Unilance foi decretada em 13 de março de 2019, e desde então o processo já acumulou mais de 69 mil movimentações judiciais. O liquidante nomeado pelo BC, Gilmar José Bocalon, encontrou um desequilíbrio patrimonial significativo, levando à solicitação de autofalência da empresa. Em abril de 2019, o bloqueio de bens dos sócios, Sidney Marlon de Paula e Nadir Jesus de Paula, foi determinado para assegurar recursos para os credores.

Impacto sobre os consorciados

Os consorciados da Unilance estão sem previsão de ressarcimento, já que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) não cobre cartas de crédito de consórcios. Assim, eles dependem do rateio judicial do patrimônio da empresa. O quadro de credores é complexo, com dívidas que incluem R$ 2,9 milhões em encargos trabalhistas e R$ 11,1 milhões em tributos.

O que vem a seguir?

O processo de falência continua a revelar a dimensão do impacto social, com muitos consorciados se sentindo desamparados. Um dos afetados, o empresário Auxílio Suguimoto, relatou que ficou sem resposta ao tentar receber R$ 92 mil de uma carta de crédito quitada. A situação se complicou com a enxurrada de pedidos de habilitação de crédito, que tumultuaram o andamento processual.

Opinião

A situação dos consorciados da Unilance evidencia a fragilidade do sistema de consórcios e a necessidade de maior proteção aos consumidores em casos de insolvência.