O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, fez um alerta nesta segunda-feira (2) sobre o impacto que a escalada da guerra no Oriente Médio pode ter na economia brasileira. Ele ressaltou que, se o preço do petróleo ultrapassar os US$ 100, o Brasil poderá enfrentar desafios significativos.
No entanto, Ceron afirmou que, enquanto o barril de petróleo se mantiver entre US$ 75 e US$ 85, o cenário atual é suportável para a economia brasileira. O preço do petróleo iniciou o dia cotado a até US$ 80, em meio a preocupações com a evolução do conflito no Oriente Médio, que envolve Irã, EUA e Israel.
Impacto Inflacionário Limitado
De acordo com Ceron, a apreciação do real em relação ao dólar, que chegou a R$ 5,21, limita o impacto inflacionário no país. Ele destacou que a pressão inflacionária gerada pelo aumento do petróleo é relativa, considerando a valorização cambial significativa que o Brasil está vivenciando.
“A pressão inflacionária que ele gera é relativa, uma vez que a gente também está vivenciando uma apreciação cambial significativa”, afirmou Ceron durante um evento do jornal Valor Econômico.
Brasil como Exportador de Petróleo
O secretário também mencionou que o Brasil, sendo um exportador de petróleo, pode até se beneficiar de preços mais elevados no mercado internacional. A alta do produto poderia fortalecer a balança comercial e aumentar a arrecadação pública por meio de royalties e leilões.
“Num cenário como esse, o Brasil está bem posicionado e ele é, provavelmente, um ganhador nesse processo”, completou Ceron.
Política Monetária e Selic
Em relação à política monetária, Ceron indicou que o atual nível do petróleo não deve alterar, por ora, a trajetória da Selic, que permanece em 15%. Ele mencionou que um aumento significativo no preço do petróleo poderia antecipar o fim do ciclo de queda de juros, mas não teria impacto imediato nas decisões do Banco Central.
O Comitê de Política Monetária (Copom) já sinalizou cortes nas próximas reuniões, caso o cenário evolua conforme o esperado.
Opinião
A situação no Oriente Médio e o preço do petróleo são fatores cruciais que devem ser monitorados de perto, pois podem ter consequências diretas na economia brasileira.






